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Esforço e Lugar: Comparando o David de Miguel Angelo e Hermes de Praxísteles

Trabalho por Laura Pereira de Mello, estudante de Filosofia @ , Em 22/04/2003

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ESFORÇO E LUGAR

ESPAÇO E PERSPECTIVA : O HERMES DE PRAXÍSTELES E O DAVID DE MIGUEL ANGELO.


Introdução:

Quando contemplamos o Hermes de Praxísteles e o David de Miguel Ângelo, além da beleza notamos que são muito diferentes.

Tanto um como o outro são formas e volumes estáticos que representam um homem. São, um e outro, obras de arte do espaço na medida em que espaço se opõe ao tempo.

Entretanto o método figurativo grego não era o mesmo que o do Renascimento, muito embora os artistas renascentistas reclamassem a herança direta da arte clássica.

De acordo com Francastel e Gombrich, não existia perspectiva na Antiguidade e, segundo Panofsky, não existia mais do que uma perspectiva incipiente na pintura helenístico-romana tardia. Para Panofsky, o que existia era o escorço como um primeiro passo para a perspectivas. Então, o que correspondia à perspectiva no mundo clássico? Como os métodos figurativos gregos e renascentistas nos indicam as diferenças entre o Hermes e o David?

Francastel estudou o Renascimento a partir das fontes medievais analisando a idéia de espaço plástico; Panofsky estuda o espaço a partir da "forma simbólica" perspectiva, um processo figurativo ligado ao espaço euclideano; Gombrich estuda-o de acordo com os conceitos interligados de "esquema -e- correção" e de "forma -e- função".

Ao pensar o espaço plástico do Renascimento e o método a ele ligado, Francastel parte do princípio de que o espaço é a própria experiência humana e que o espaço renascentista é algo "inventado". Desta forma fica claro que o espaço euclideano não é o verdadeiro e que a perspectiva não é o método figurativo que representa o "real" materializando a "visão natural" do Homem.

A formação da perspectiva linear do Quattrocento é então, a formação de um estilo e não uma descoberta de uma representação fiel do real exterior. Demonstra como o espaço euclideano não passa de um estágio de desenvolvimento da cultura. O espaço da Idade Média é projetivo assim como o do aborígene é topológico.

Assim, a idéia de espaço não é mais do que um sistema de signos convencionais, apenas válidos para os iniciados em um conjunto de postulados de uma determinada civilização. Uma vez que uma determinada concepção de espaço é fruto de um determinado todo cultural, torna-se possível apreender por meio da pintura euclideana do Quattrocento o acervo da cultura que a produziu e os fundamentos de uma representação plástica do espaço que satisfez, durante quatro séculos, todas as necessidades figurativas da civilização ocidental.

Este método é definido por Francastel como sendo um método que tanto inscrevia as imagens no interior da "janela" de Alberti, como no interior de um cubo aberto de um lado, no interior do qual, como uma espécie de micro-universo, reinavam as leis da física e da ótica do novo mundo. Nele tudo é mensurado em uma escala; os lugares geométricos e os objetos se encontram igualmente no ponto de coincidência das coordenadas geométricas determinadas pela dupla lei da conservação das horizontais e das verticais qualquer que seja o afastamento real das coisas e a visão monocular tomada de um ponto fixo situado a um metro do solo. Tanto as coisas quanto o espaço eram submetidos a uma mesma unidade de medida de modo que podiam inserir-se neste sistema, objetos afastados. Ficava claro que, neste espaço, todo forma se prolonga e nenhuma superfície era realmente fechada.

Percebemos, então , que há uma relação entre a noção de espaço renascentista e a de espaço físico de Galileu: a idéia de um espaço infinito, homogêneo e vazio, isto é, onde há vácuo e onde vale a geometria euclideana, no qual os corpos se encontram mergulhados.

Esta idéia - de espaço continente - é fundamental pois não pode haver ciência ou perspectiva sem esta noção. Mesmo os espaços topológicos e projetivos