A ética, alma e ordem política em Platão
UNIDF
2008
A principal parte do conjunto de premissas socráticas vem desembocar diretamente no pensamento platônico. Platão, o discípulo mais notável de Sócrates e fundador da Academia, desenvolveu com acuidade os mesmos pensamentos elementares de seus mestre: a virtude é conhecimento, e o vício existe em função da ignorância.
Todo sistema filosófico platônico é decorrente de pressupostos transcende, quais a alma, a preexistência da alma, a reminiscência das idéias, a subsistência da alma... O que há é que Platão, diferentemente da proposta de Sócrates, distancia-se da política e do seio das atividades prático-políticas.
A prudência socrática converte-se em vida teórica no sistema platônico. Assim a harmonia da sociedade, ou seja a justiça plena, baseava-se na tripartição da alma da seguinte forma: alma logística, correspondendo a parte superior do corpo humano, a cabeça, à qual se liga a figura do filósofo; alma irascível, correspondendo à parte mediana do corpo humano (peito), caracterizava pela coragem como virtude cavalheiresca; alma apetitiva, correspondendo à parte inferior do corpo humano (baixo ventre), à qual se ligam aos artesãos, os comerciantes e o povo.
Para Platão somente as idéias são certas, eternas e imutáveis, tendo-se em vista que tudo mais que se conhece é incerto, perecível, e mutável. Do que se disse anteriormente, somente a alma logística é capaz de ciência, e esta ciência à qual se refere Platão, deriva da contemplação das idéias e imutáveis pelo filósofo.
As diversas faculdades humanas estão dotadas de aptidão para a virtude, uma vez que a virtude é uma excelência, ou seja, um aperfeiçoamento de uma capacidade ou uma faculdade humana suscetível de ser desenvolvida ou aprimorada.
O virtuosismo platônico tem a ver, portanto com o domínio das tendências irascíveis e concupiscíveis humanas, tudo com vistas a supremacia da alma raciona. Então, virtude significa controle, ordem equilíbrio, proporcionalidade... Sendo que as almas irascível e concupiscente submetem-se aos comandos da lama racional, esta sim soberana. Desse modo, boa será a conduta que afinizar com os ditames da razão.
A ética que deflui da alma racional é exatamente a de estabelecer este controle e equilíbrio entre as partes da alma, de modo que o todo se administre por força racional e não epitimética ou irascível. O vício, ao contrário da virtude, está onde reina o caos entre as partes da alma.
Então buscar a virtude é afastar-se do que é tipicamente valorizado pelos homens, que é o mais ainda mantêm ligado ao corpo e ao mundo terreno, e procurar o que é valorizado pelos deuses, e que mais o distância do corpo e do mundo terreno. O homem deve buscar identificar-se e inspirar-se nas faculdades que caracterizam os deuses, os mais excelentes seres, e não os animais. A alma que valoriza a mundanidade acaba por construir em torno de si certa aspirações, que possui o peso das carnes humanas, e não a leveza características dos deuses.
O platonismo prima pelo idealismo e não pelo realismo, não obstante sua obra caminha paulatinamente em direção à maturidade mais realista, isso porque o núcleo da teoria platônica repousa na noção de idéia, que penetra inclusive o entendimento de que seja o bem supremo do homem. A idéia do Bem que está governar todo o cosmo representa a grande prioridade dos sistema de idéias concebido por Platão. As idéias de ética e de virtude ligam-se diretamente a idéia de conhecimento como algo necessário.
A cosmovisão platônica, que segue rigorosamente passos pitagóricos, permite a abertura da questão de justiça a caminhos mais largos que aqueles tradicionalmente trilhados no sentido de determinar seu conceito. Nesse sentido, toda a alma que perpassa a sombra e a incógnita da morte encontrará seu julgamento, que será feito de acordo com os impecáveis mandamentos
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