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A Consciência Pode Conhecer Tudo?

Trabalho por Iolanda Nogueira Oliveira, estudante de Filosofia @ , Em 23/11/2004

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A Consciência Pode Conhecer Tudo?


INTRODUÇÃO

Continuamente nos deparamos com situações que nos parecem estranhas, irregulares e duvidosas, mas por algum motivo, passamos adiante sem investigá-las. Por que isso ocorre?

A humanidade, enquanto sociedade, sempre existiu por condições determinadas, e o que é pior, por condições criadas pelos próprios membros da sociedade. O problema é que estes indivíduos não conseguem se ver como agentes instituidores da sociedade e, conseqüentemente, instituidores de tais condições. Mas por que não conseguiriam enxergar algo tão obvio?

Os indivíduos acreditam que são "senhores" de suas consciências, que todas suas ações, pensamentos são conscientes. Todavia, é exatamente o oposto que ocorre, o sujeito do conhecimento – o indivíduo – desconhece que suas ações e pensamentos são controlados por dois "agentes" alienadores, onde um deles, o inconsciente, estudado por Freud, atua determinando tudo o que faz nossa consciência e nossas próprias ações. O outro agente, a ideologia, estudada por Marx, atua diretamente sobre nossas crenças, valores, conceitos e opiniões, criando falsas verdades e camuflando a verdadeira realidade, alienando assim, o sujeito do conhecimento.

No decorrer do trabalho, perceber-se-á algumas semelhanças entre estes dois agentes, na maneira como atuam na alienação do sujeito do conhecimento, quais suas "artimanhas"e métodos para esses procedimentos.


1 – CONSCIÊNCIA E CONHECIMENTO

O sujeito, o cidadão, a pessoa e o eu, são distinguidos pela teoria do conhecimento, que distingue também os graus de consciência (passiva, vivida, reflexiva); tem o sujeito como centro da figura do conhecimento, entendendo como consciência de si reflexiva ou atividade racional que conheci a si mesma.

Todavia, há um limite conhecido como inconsciente, que é algo que está além do conhecimento da consciência e é algo que esta não poderá refletir diretamente, além de determinar tudo quanto ela e o sujeito sentem, pensam, querem, tornando-se assim um limite intransponível.


2 – O INCONSCIENTE

Um dos grandes gênios do Século XX, Sigmund Freud, colocaria que três grandes feridas ao narcisismo humano foram estabelecidas pelas pesquisas científicas. A primeira foi estabelecida por Copérnico: a Terra não é o centro do universo, nem mesmo o nosso Sol. A segunda ferida teria sido criada por Charles Darwin ao postular que o homem não é o centro da criação, mas uma decorrência do processo da evolução natural. De fato, entre homens e chimpanzés há menos diferenças que entre os chimpanzés e outros primatas conforme atestam estudos dos etnologistas. A terceira grande ferida teria sido aberta no ano de 1900 com a publicação de a Interpretação dos Sonhos pelo próprio Freud. O criador da psicanálise estabeleceria que o homem não era sequer senhor de si mesmo.

CHAUÍ (2003, p.168) cita Freud:

Na obra Cinco ensaios sobre a psicanálise, Freud escreve:

A Psicanálise propõe mostrar que o Eu não somente não é senhor na sua própria casa, mas também está reduzido a contentar-se com informações raras e fragmentadas daquilo que se passa fora da consciência, no restante da vida psíquica… A divisão do psíquico num psíquico consciente e num psíquico inconsciente constitui a premissa fundamental da psicanálise, sem a qual ela seria incapaz de compreender os processos patológicos, tão freqüentes quanto graves, da vida psíquica e fazê-los entrar no quadro da ciência… A psicanálise se recusa a considerar a consciência como constituindo a essência da vida psíquica, mas nela vê apenas uma qualidade desta, podendo coexistir com outras qualidades e até mesmo faltar.

Geraldo Ballone afirma:

Inconsciente. A premissa inicial de Freud era de que há conexões entre todos os eventos mentais e quando um pensamento ou