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Michel Foucault

Trabalho por Josenir Tavares, estudante de Filosofia @ , Em 22/04/2003

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FOULCAULT, A FILOSOFIA E O PENSAMENTO DA ATUALIDADE

Elyana Barbosa*

RESUMO: A obra de M. Foucault aponta para um esgotamento dos valores que tiveram vigência ate o inicio do Século XX, ela é destruidora de convicções, problemastiza o passado e pergunta pela atualidade. A sua preocupação com "o agora" faz com que Foucault oferece um Curso no College de France tomando como tema um escrito de Kant "Was ist Aufklärung". Kant inaugura um novo tipo de questão no campo da reflexão filosófica: "é a questão do presente, a questão da qualidade. Que é que se passa hoje? Que é que se passa agora? E que é este agora aonde estamos todos, uns e outros, e que define o momento aonde eu escrevo? O que é o presente que faz sentido atualmente a uma reflexão filosófica ?" ( FOUCAULT, Dits et Ecrits, 1994, vol. IV, p. 680).

O pensamento de M. Foucault (1926-1984) se estrutura como um conjunto de problematizacoes ( a do saber – a do poder – o da "moral") respeitando sempre um "quadro de referncias" ou mesmo a um "campo de pressuposto" que começa a aparecer em Folie et déraison. Histoire de la Folie à I’age classique (1961) e acompanha toda a sua trajetória intelectual 1. Foucault chama a atenção para a importância de se Ter um pequeno numero de autores com os quais se trabalha mas com os quais nada se escreve, como pôr exemplo a importância de Heidegger para o seu pensamento e que nada escreveu sobre ela apesar de possuir "toneladas de anotações": "Todo o meu devir filosófico foi determinado por minha leitura de Heidegger" e mais "É provável que se não tivesse lido Heidegger não teria Nietzche e Heidgger provocaram nele um "choque filosófico". ( Cf. Foucault, 1994, IV, p. 703).

É compreensível o fato de Foucault citar ato pouco aqueles que o influenciaram, exatamente porque ao torná-los como "ferramentas" para o seu pensamento, ele também pensa o – anti – aquilo que contraria o discurso – "sou simplesmente nietzschiano e tento na medida do possível, num certo numero de pontos, ver, com a ajuda dos textos de Nietzsche – mas também com teses antinietzschianas ( que são nietzschianas!) o que se pode fazer emtao tal ou tal domínio." (Foulcault, 1994, IV, p.704)

Na sua passagem por Salvador (BA) 1976, o objetivo das suas problematizações era a questão sobre o poder, apresentando uma perspectiva completamente inovadora, afastando-se das analises marxistas ou fenomenológicas.

O seu pensamento estava fortemente influenciado pelos princípios da Física Quântica. Foucault fala numa "microfísica do poder, em "poderes, ou melhor, uma diversificada forma de dominação: "Poderes, quer disser, formas de dominação, formas de sujeição, que funcionam localmente, por exemplo, na oficina, no exercito, numa propriedade do tipo escravista ou, numa propriedade onde há relações servis. Tudo isso são formas regionais de poder, que tem seu próprio modo de funcionamento, procedimento e técnica. Todas essas formas de poder são heterogêneas" ( Cf. As malhas do poder ). Esta idéia de poder, de um poder, que não esta "localizado", de um poder que não é propriedade de , "que não se restringe a uma concepção jurídica de poder, desta concepção do poder a partir da lei e do soberano, a partir da regra e da proibição" apresenta uma visão do poder desligada das analises tradicionais, um poder que esta imbricado nas relações sociais como os "nos" entrecruzados de uma malha. Foucault apresenta aos intelectuais baianos - marxistas e fenomenólogos – uma visão completamente diferente de todas as leituras realizadas ate então. O Foucault e As palavras e as coisas já tinha sido objeto de inúmeros mal-entendidos. As analise realizadas por Foucault explicam a sua afirmação em O uso dos prazeres (1994) quando