A ÁGUIA E A GALINHA
Em sua obra, A águia e a galinha, Leonardo Boff aborda a questão da existência humana e sua complexidade com uma metáfora, para ser melhor compreendida. Comparando águias e galinhas, Boff nos convoca à uma reflexão baseada nas atitudes destas aves. Estamos sendo criados de que forma? Para tornarmo-nos águias, voando alto, donos de nosso destino? ou como galinhas, subordinadas aos limites de um galinheiro? Assim deparamo-nos com um importante debate a ser travado por toda a comunidade, em especial às ciências humanas.
Vivemos nossa contemporaniedade em um mundo globalizado economicamente, onde as "culturas minoritárias" juntamente com a autonomia do ser humano foram abandonadas como fim, transformando-se em meio para um novo fim, imposto recentemente por esta nova forma de pensar os rumos do mundo, o lucro material e logicamente financeiro.
Ser é ter. Este pensamento desequilibrado e frio, determinado objetiva ou subjetivamente pelos opressores, impõe a homens e mulheres uma "cultura ao material", que acaba por reduzir nossos sentimentos, nossos horizontes e principalmente nossa existência. Vivemos iludidos pela ótica materialista, que criou um novo sentimento em nossa contemporaniedade: o sentimento materialista. Claro que não é em vão. Boff sugere em seu livro muitas perguntas a quais devemos olhar ao nosso redor e analisarmos da forma em que entendemos o processo de "evolução" mundial. Os interessados em "criar galinhas" são responsáveis pela dominação do ser por este falso sentimento, isto porque eles tem os materiais em sua disposição e como homens e mulheres comuns acreditam que precisam de tal material para serem felizes acabam se subordinando ainda mais para adquirirem sua felicidade.
Além do mais, somos bombardeados diariamente com idéias fatalistas, homens e mulheres são condicionados a imobilidade, quando não acabam por abençoarem esses bombardeios como verdadeiros e partem por profetizar esta ideologia que assimilaram mecanicamente, transformando os acontecimentos negativos como inevitáveis.
A capacidade do homem em interagir na natureza faz parte do conhecimento universal, e mais, o ser humano é capaz de determinar ser próprio destino, diferentemente da totalidade ou ao menos da maioria dos animais. Mas o discurso fatalista tem anulado em parcela elevada da população mundial oprimida essa compreensão.
Somos águias, nossa essência nos conclama a dominarmos nosso destino, escolhendo caminhos, rumos, sentimentos e prazeres, mas querem nos educar como se precisássemos de uma tutela eterna, cercados, sem grandes esperanças de transformação, assim como as galinhas. Os pregadores do discurso fatalista querem transforma-nos em galinhas para que cada vez mais sejam águias, e controlem-nos cada vez mais, assim criam uma espécie de escravos voluntários, que observamos claramente hoje. Os opressores não permitem mais nem o sentimento verdadeiro, querem determinar o que homens e mulheres devem sentir.
Os que vivem os sentimentos verdadeiros podem ser classificados como "livres", para eles não existem limites, a subjetividade existe para o infinito, os desejos e os pensamentos ultrapassam todas as barreiras, é isso que a leitura nos propicia, que descubramos que somos mais do que somos, só conseguimos o que sonhamos. Claro que de nada adianta um sonho vago, nosso sonho deve ser um impulso para nossa luta, se o sonho se transformar em esperança vã, seremos apenas sonhadores, nada mais do que isso.
Querem que abandonemos o "que podemos fazer desta realidade que nos cerca", ou seja, a nossa capacidade de mudar a realidade, que na maioria das vezes, é adversa ao desejo de homens e mulheres que encontram-se reprimidos, o que querem é que simplesmente sejamos nossa realidade, aceitemos ela como é e assim a vivamos "da melhor maneira possível", ou seja, estão mantendo-os como galinhas, pois quem domina o planejamento mundial hoje são os opressores em sua maioria.
Não devemos nos contentar com "a realidade
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