KANT
Tema: "A liberdade de pensar opõe-se em primeiro lugar a coação civil. Sem dúvida ouve-se dizer: a liberdade de falar ou de escrever pode nos ser tirada por um poder superior, mas não a liberdade de pensar. Mas quanto e com que correção poderíamos nós pensar, se por assim dizer não pensássemos em conjunto com os outros, a quem comunicamos nossos pensamentos, enquanto eles comunicam a nós os deles! Portanto, podemos com razão dizer que este poder exterior que retira dos homens a liberdade de comunicar publicamente seus pensamentos, rouba-lhes também a liberdade de pensar... " ( Que Significa Orientar-se no Pensamento? p. 92, Vozes, 1985 )
Já que não é possível conhecer de maneira objetiva as realidades metafísicas, nos resta, então, crer que essas realidades existem e justificar ou encontrar razões que fundamentem essa crença. Assim, com Kant, as pretensões de transformar a metafísica numa ciência foram deixadas de lado para constituir uma metafísica com credibilidade, que respeitasse os limites da nossa razão: limita-se a justificar a fé na existência de realidades transcendentes. Assim, se a liberdade é o fundamento da ação moral a reflexão sobre o uso prático da razão partirá do esclarecimento (Aufklärung), da "saída do homem de sua menoridade" (Resposta à Pergunta: Que é Esclarecimento? p.100, Vozes, 1985), da relação entre liberdade e moral. Para falar de ação moral devemos supor que o homem é livre. E podemos fazê-lo pois o homem é um ser sensível e não simplesmente um fenômeno (aquilo que podemos conhecer, isto é, objetos) podemos, então, pensar que o homem é livre. Não se diz que ele é livre, de fato, impede-se somente a negação da liberdade. A consciência de que somos livres não é um conhecimento nem uma intuição, mas sim uma fé racional, uma crença moralmente necessária.
Eu não sei se sou ou não livre, mas sei que tenho que acreditar que sou livre. A reflexão de Kant sobre a moral parte de um dado indiscutível: a presença na consciência do ser racional de uma lei que se apresenta sob a forma de dever e a que se dá o nome de lei moral. Esta lei é um lei da razão que nos diz como devemos agir - é uma lei que devemos cumprir. A lei natural deve ser cumprida de qualquer forma, independente da nossa vontade mas a lei moral é uma lei que devemos cumprir ou fugir ao seu cumprimento, é ter consciência de que devemos fazer isto ou aquilo é ter consciência de que posso, que somos livres para fazê-lo. A lei moral é aquilo que me permite tomar consciência de que sou livre, sendo a liberdade o fundamento que torna inteligível a presença da lei moral em mim. O reconhecimento da presença da lei moral em mim, permite-me tomar consciência da necessidade de acreditar que sou livre. Temos em Kant, uma idéia de orientação, que parte da orientação espacial e chega até a orientação do pensamento de forma lógica pela razão, sua única condutora confiável. Mais adiante, descobrimos que em se tratando do pensamento, da razão, é a chamada fé racional que orienta o pensador em suas análises que abordam o supra-sensível, levando-o ao caminho correto.
As leis naturais, formuladas pelo entendimento, direcionam comportamento dos fenômenos, das realidades naturais, Estas leis são cumpridas e não podem ser infringidas porque são necessárias. E o homem, na medida m que é fenômeno, enquanto realidade natural, não pode fugir ao cumprimento dessas leis necessárias. Assim, não há lugar para a liberdade no campo dos fenômenos já que eles implicam necessidade. Não podemos, então, saber em termos científicos, se somos livres ou não; a liberdade, não sendo fenômeno não pode ser conhecida. Com o intuito de preservar o conceito de liberdade, de impedir sua negação, Kant aborda outro plano que não
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