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Descartes

Trabalho por Carol, estudante de Filosofia @ , Em 22/04/2003

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DÚVIDA METÓDICA E EVIDÊNCIA EM DESCARTES

 As obras de René Descartes, que revolucionaram o sistema filosófico e marcaram o início da nova perspectiva para o conhecimento moderno, devem ser lidas não só em si mesmas, mas devem também ser enquadradas e comparadas com a perspectiva escolástica vigente quando elas foram pensadas e escritas para, só então, entender sua grandeza .

Embora Descartes tenha terminado seus estudos num colégio jesuítico renomado chamado La Flèche, concluiu que todo aprendizado lá adquirido foi inútil do ponto de vista do conhecimento : apesar de as línguas serem indispensáveis no conhecimento dos valiosos livros antigos, já havia se dedicado o suficiente a elas; a História , se lida com prudência, poderia ser útil na formação pessoal, mas seria substituível por opiniões equivalentes, por viajar. A poesia e a eloqüência têm suas belezas, mas são finezas da mente e desprovidas de raciocínio ; a matemática é exata em seus raciocínios, mas sua utilidade não é evidente e o saber vale por sua aplicação ; a teologia se propunha a abrir caminhos para o céu mas para entendê-las era necessário "ser mais do que homem "(1). Quanto à filosofia , em toda sua história havia conquistado verdades não universais , somente verdades particulares e prováveis; e isso tinha conseqüências nas demais ciências , que tinham a filosofia como base e eram, portanto, tão incertas quanto ela .

Descartes decidiu, então, "não procurar outra ciência senão aquela que pudesse achar em si próprio ou no imenso livro do mundo" (2) esperando distinguir o verdadeiro do falso com clareza e distinção, não se fundamentando nos costumes pois eles são tão variáveis quanto as opiniões; que são idéias isoladas desprovidas de fundamentação em argumentos sólidos. Ele se propõe, com isso a nada menos que reformular as bases da ciência. Para Descartes, uma idéia clara é aquela que se apresenta imediatamente ao intelecto sem ser guiada pelos sentidos e a distinção implica em possuir intrinsecamente todas as propriedades e características que permitem diferenciá-las de todas as outras idéias; o que não deixa de ser um maior grau de clareza .

A revolução cartesiana consistiu em romper com o realismo , que considerava as idéias como representações, reflexos do Mundo que eram levadas até a mente unicamente através dos sentidos. Descartes, porém, parte não das coisas externas ao intelecto como os realistas escolásticos, mas sim da subjetividade, que considera primeiro as idéias de dentro do intelecto para, a partir delas e seguindo um método rigoroso, chegar à prova de que as coisas que percebemos existem realmente fora de nós.

Assim, com maturidade, depois de entender que cada povo se vê como encarnação do universal , aprendeu a não crer fielmente em tudo , a não se curvar perante o que haviam inculcado nele . Aprendeu a liberdade interior, a se livrar de preconceitos e tudo que impede o exercício da razão. Decide, então, criar um método "para bem conduzir a própria razão e procurar a verdade nas ciências"(3), que antecede o exercício da dúvida e visa possibilitar ao ser humano descobrir todas as verdades possíveis, todas as evidências. Um percurso perigoso não aconselhável para todos , comparado a um mergulho no oceano que deve ser feito uma só vez na vida: precisa-se firmar os pés no chão retornando pelas mesmas camadas de água até a superfície para , só então, aliviar a angústia de não respirar.

A dúvida de que trata Descartes não é uma mera dúvida cética, pois os céticos não acreditam que o homem possa chegar a qualquer verdade. É metódica, e não tem caráter existencial visto que esperou-se o momento oportuno para tratar dela; é universal, pois, em princípio, tudo se pode colocar em dúvida; é radical por se tachar de falso tudo que é apenas duvidoso; é hiperbólica por ser ilimitada; e provisória pelo fato de