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Pós - Modernidade

Trabalho por Gessiram William de Souza, estudante de Filosofia @ , Em 22/04/2003

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Pós Modernidade

Apresentação

Este trabalho consiste em uma análise histórica da formação da chamada Pós-modernidade - e de seu lado místico - dentro da visão de um processo revolucionário. Muitos autores, mesmo os mundialmente conhecidos, apenas analisam a Pós-modernidade como se esta fosse incausada, ou melhor, sem pesquisar sua origem histórica.

Demonstraremos que a causa essencial da mística Pós-moderna reside em uma mudança paradigmática, de fundo metafísico, ocorrida no final da Idade Média e início da Renascença. Para demonstração de nossas teses, usaremos o seguinte procedimento: as teses serão enunciadas e fundamentadas sobre textos, cuja autoridade histórica ou filosófica está pressuposta.

Para compreender a Pós-modernidade, este trabalho realizará uma análise coerente dos antecedentes históricos aos quais ela se submete como fruto e conseqüência. Não pode haver transformação como essas sem que exista uma preparação remota - lenta é verdade - mas profunda e consistente.

A hipótese formulada é que houve uma mudança, tanto no nível filosófico como artístico - ou mesmo comportamental - causada por uma nova concepção de mundo, metafisicamente oposta à medieval.

Progressivamente o teocentrismo foi sendo substituído por uma visão antropocêntrica de mundo. Esta dará início a um processo revolucionário que historicamente buscará derrubar toda autoridade e todas as normas.

Começando por negar a "União Objetiva" e culminando com a própria destruição do "Princípio da Contradição" , a Revolução aproxima-se de seu termo, que é essencialmente Panteísta e gnóstico.

Como efeito da radicalização do antropocentrismo, que cresce historicamente em intensidade, temos o surgimento do movimento auto-intitulado "New Age" (Nova Era), que concede à Pós-modernidade todo o seu lado místico e gnóstico. Este movimento entende a "criação" não como obra de um criador transcendente - e portanto, superior - mas como obra de uma divindade imanente e igualmente espalhada por todos os homens, ou até mesmo, entre todas as coisas.

É toda desigualdade moralmente injusta? O único bem é a igualdade suprema dentro de uma República Universal? Existe uma verdade ontologicamente determinada? Qual a relação que se pode estabelecer entre os movimentos ecologistas e a realidade virtual? Essas perguntas resumem a polêmica paradigmática entre teocentrismo e antropocentrismo, bem como toda a conseqüência axiológica que estes conceitos geram para a concepção de verdade, transcendente ou imanente.

Desta forma, busca-se demonstrar a vinculação da hierarquia com o teocentrismo e, em contraposição, do igualitarismo com o antropocentrismo.

Para não exceder os limites propostos para este trabalho, diversos e relevantes temas foram suprimidos. Também reafirmamos que não é nosso objetivo esgotar a discussão referente à Pós-modernidade. O presente estudo objetiva unicamente acrescentar uma hipótese coerente, lógica e historicamente demonstrável para a interpretação da realidade Pós-moderna, mística em sua origem e conteúdo.

Por outro lado, não nos será possível, visto a amplitude do tema, trazer uma demonstração irrefutável para cada uma das proposições aqui realizadas. Cingimo-nos tão somente a desenvolver o mínimo de argumentação necessário para pôr em evidência o nexo existente entra as várias teses, e a visão de conjunto que delas sobressai.

Para demonstrar a justificação transcendente das desigualdades, este trabalho transcreverá trechos de Santo Tomás de Aquino, retirados da Suma Teológica. Também transcreveremos trechos da doutrina Católica sobre o fundamento da desigualdade, bem como os seus limites naturais.

A doutrina tradicional da Igreja foi escolhida como referencial medieval, por a considerarmos "tautologicamente" teocêntrica, defendendo a transcendência da criação e a hierarquia social, em oposição a todo imanentismo igualitário e revolucionário da Pós-modernidade.

Introdução

Diversas foram as transformações que a humanidade atravessou ao longo de sua História. Guerras e conquistas, lutas e glórias, tudo se mescla em uma enormidade sem fim de acontecimentos que marcaram a identidade de cada povo e, por que não acrescentar, de toda uma civilização.

Nem tudo foi glória, nem tudo foi esplendor, mas, sobretudo,