A ÁGUIA E A GALINHA
Em sua obra, A águia e a galinha, Leonardo Boff aborda a questão da existência humana e sua complexidade com uma metáfora, para ser mais bem compreendida. Comparando águias e galinhas, Boff nos convoca a uma reflexão baseada nas atitudes destas aves, assim deparamo-nos com um importante debate a ser travado por toda a comunidade, em especial às ciências humanas. Boff sugere em seu livro muitas perguntas a quais devemos olhar ao nosso redor e analisarmos da forma em que entendemos o processo de "evolução" mundial. Os interessados em "criar galinhas" são responsáveis pela dominação do ser por este falso sentimento, isto porque ele tem os materiais em sua disposição e como homens e mulheres comuns acreditam que precisam de tal material para ser felizes acabam se subordinando ainda mais para adquirirem sua felicidade. Somos águias, nossa essência nos conclama a dominarmos nosso destino, escolhendo caminhos, rumos, sentimentos e prazeres, mas querem nos educar como se precisássemos de uma tutela eterna, cercados, sem grandes esperanças de transformação, assim como as galinhas. Os que vivem os sentimentos verdadeiros podem ser classificados como "livres", para eles não existem limites, a subjetividade existe para o infinito, os desejos e os pensamentos ultrapassam todas as barreiras, é isso que a leitura nos propicia, que descubramos que somos mais do que somos, só conseguimos o que sonhamos. Claro que de nada adianta um sonho vago, nosso sonho deve ser um impulso para nossa luta, se o sonho se transformar em esperança vã, seremos apenas sonhadores, nada mais do que isso nossa paixão de sonhar, nossas utopias e nosso projeto infinito. Agindo assim, o homem entrega sua vida aos opressores, fica subordinado a desejos e sentimentos que não são os seus, e a única atitude que poderá tomar é lamentar-se. Porém não podemos nos entregar inconseqüentemente as alturas. Como qualquer ser temos limitações, e precisamos conhece-las. Quando abandonamos a realidade a qual estamos ligados, estamos correndo um risco de sermos abandonado pelos que estão ligados a esta realidade. Nossa existência autêntica não significa simplesmente agarrar-se a subjetividade, baseada nos sonhos, nos sentimentos e nas utopias. Águia e galinha, cada uma tem sua importância em nossa existência e não devem ser abandonadas, nem uma, nem outra. Uma águia despertada anima outras águias. Está lógica é verdadeira! Quantos de nós não tomamos coragem para fazer aquilo que tínhamos medo, vergonha ou até incerteza? Este é um importante passo para contribuirmos com uma sociedade mais corajosa e arrojada, se a lógica acima é certa devemos refletir sobre a importância de nossas atitudes, devemos ser exemplos, para estimularmos outros homens e mulheres a se libertarem de si mesmos, pois sentimentos como a covardia e a vergonha são fundamentais para que muitos permaneçam como galinhas. O equilíbrio, harmonia e o convívio pacífico, são destinos a qual a ética discutida no livro se encaminha, devemos ter uma noção e prática clara de ética com os seres que nos cercam, para que sejamos éticos conosco. Jamais conseguiremos equilibrar a águia e a galinha existentes em nós sem a práxis da ética. O proposto pelo professor Leonardo Boff é que sejamos realistas e utópicos. Apesar de parecer impossível é viável! Basta não abandonar o cotidiano, o dia-a-dia, a rotina, mas sempre sonhando para tentar transforma-lo, como no livro: "andar no vale, mas olhando as montanhas".
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