A Criança e a Televisão
PROPÓSITOS
A televisão chegou aos lares, no início da década de 50, como um elemento desejado por suas possibilidades de oferecer entretenimento, informação e cultura. Ao mesmo tempo, transformou-se no veículo que unia cada ser humano aos demais habitantes do mundo.
Alcançava-se, enfim, a almejada universalização da cultura, iniciada séculos atrás com o advento da imprensa. Começava-se a vislumbrar a possibilidade de não existirem mais núcleos humanos relegados e isolados, sem acesso à instrução e aos conhecimentos científicos.
Por outro lado, ao unir a imagem à palavra, a televisão prometia a ampla difusão da informação e, com ela, a concretização da esperança de uma sólida e cabal aproximação entre os povos e as diversas culturas.
A deturpação da missão cultura em nome de um suposto benefício comercial, constitui em muitos países, um fato desejável e inquietante.
No âmbito familiar verificou-se que a presença constante do aparelho funcionando havia produzido, como efeito colateral, um sensível decréscimo da atenção que cada membro dispensava aos demais.
A TV é vivenciada como uma companheira, como alguém que está em casa.
O IMPACTO DA TV NA MENTE DA CRIANÇA
Grande número de pais inclina-se a favorecer em seus filhos, o hábito de ver televisão desde a mais tenra infância.
Na verdade, apenas um pequeno número de família tem uma noção clara sobre o prejuízo que este hábito ocasiona no início da infância, assim como são poucos os que percebem a influência nefasta exercida pelos programas de violência, ou as que relacionam a isso as dificuldades apresentadas por seus filhos.
A televisão, como o cinema, o teatro ou o circo, requer, em primeiro lugar, a atenção visual e, associada a esta, a auditiva, de modo tão intenso que ambas encobrem os estímulos percebidos pelos outros sentidos, incluindo o proprioceptivo (isto é, o orgânico).
Sabemos também que a TV é indutora do sono, e que existem pessoas que recorrem a ela para poder dormir. Outras dormem sem se dar conta de desligar o receptor, apesar dos seus desejos de continuar vendo o programa escolhido.
A característica da imagem televisiva é sua fugacidade, sobretudo na modalidade atual, que se resolveu denominar "ritmo televisivo". Inclusive recorre-se, como artifício técnica, a diluições ou decomposições da imagem. A mudança rápida de imagem intensifica a identificação projetiva e, por isso, muitas vezes temos dificuldade de reconstruir o que vimos na tela do televisor, tal como nos acontece nos sonhos, mas neste último caso, como conseqüência da repressão. No entanto, podemos relatar comodamente o que presenciamos no teatro ou no cinema.
Em síntese, o impacto da TV sobre a mente realiza-se baseado na identificação projetiva intensa e na regressão, com características similares às do sonho, mas com alguns prejuízos, tais como a imobilidade forçada, que não é a própria do repouso, a incorporação de imagens terrificantes, a distorção visual e, em determinados casos, a poluição auditiva.
O narcisismo da coesão ao eu individual e caracteriza-se pelo amor a nós mesmos ao cremos que somos o centro do mundo o egoísmo e a possessividade. Os mecanismos que emprega, além da identificação projetiva, são a idealização, a mania e a onipotência, e se sustenta no pensamento mágico.
A idealização leva a enaltecer determinadas qualidades ou objetos; a mania induz a crer em um mundo de elogios e prazeres; a onipotência instala a fantasia de que se é capaz de conseguir tudo o que se deseja ou ambiciona. O pensamento mágico permite a ilusão de que se concretizaram ou se concretizarão as situações desejadas,
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