A ÉPOCA DE OURO DA MPB - Anos 30, 40 e 50
I - INTRODUÇÃO
Entre 1927 e 1946, muita coisa vai suceder a nossa música popular, como veremos adiante. Foi um período tão rico que chegou a ser alcunhado pelos historiadores de "idade de ouro". Em termos de canção, isto é, música vocal com acompanhamento instrumental, atravessaremos, nesta fase, um período de esplendor. Mas, quanto à música instrumental, o período não será, definitivamente, dos mais positivos. Para muitos, será mesmo, bastante fraco. Os grandes nomes de gerações anteriores, como Candinho Silva, Pixinguinha, Donga, Louro, Bonfiglio de Oliveira, Luís Americano e muitos outros, embora continuassem produzindo, têm apenas uma pequena parte dessa produção chegada ao rádio e ao disco. Prova disso é que Candinho Silva e Pixinguinha, ao morrerem - respectivamente em 1960 e 1973 - deixarão dezenas e dezenas de composições inéditas, pelas quais editoras e gravadoras jamais se interessaram.
No ano de 1930 - ou talvez um pouco antes - a Música Popular Brasileira dá por inaugurada toda uma década, exatamente a que passaria a história como a época de ouro, como já citamos. Dois motivos essenciais a determinaram. Primeiramente, a mudança do sistema de gravação mecânica para a gravação elétrica, o que permitia o registro fonográfico de vozes de curta extensão, mas cheias de malícia que o samba exigia. O segundo motivo foi o aparecimento e a espantosa expansão do primeiro veículo de comunicação de massa, o rádio, estimulado em seu desenvolvimento pelo novo governo Getúlio Vargas, que nele viu um oportuno fator de integração nacional. E também de esperta consolidação política do seu governo.
A cada mês o número de músicas, compositores e intérpretes crescia. Personagens que fizeram a própria integração nacional através do mito de suas vozes e letras levadas de ponta a ponta ao Brasil pelo milagre das ondas transmitidas sem fios.
Entre tantos, destacam-se Carmem Miranda e Mário Reis, os cantores que foram fruto direto do milagre do microfone a partir de 1930, já que suas vozes de curta extensão puderam registrar toda a malícia e bossa da música popular.
Logo a seguir apareceram o seresteiro Sílvio Caldas e o meteórico mais genial sambista Luís Barbosa; o ex-alfaiate Carlos Galhardo, que se consagraria como cantor romântico apesar de iniciar-se com Boas Festas de Assis Valente (1933) ; o hoje esquecido Patrício Teixeira, grande sucesso de época; o iluminado Orlando Silva, que a partir de 1936 acendeu a mais forte luz que a MPB já terá conhecido até hoje, pelo menos na sua época de apogeu (1935-1945); as cantoras Marília Batista e Araci de Almeida, sempre disputando a preferência de Noel; o casal 20 que foi Odete Amaral e Ciro Monteiro; e ainda as irmãs Batista (Linda e Dircinha). E tantos e tantos outros que acabaram injustamente esquecidos.
II - OS MÚSICOS
Em clima tão pouco estimulante para o choro, raros nomes irão se revelar nesta fase. Cantores como Francisco Alves, Carmem Miranda, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Araci de Almeida, João Petra de Barros, Mário Reis, Castro Barbosa, farão um sucesso imenso, passando a ser, por sua vez, cantados em verso e prosa pelo Brasil inteiro. Apesar de todo esse êxito, sobrarão apenas migalhas para os músicos, alguns simplesmente maravilhosos, porém todos reduzidos ao humilde papel de meros acompanhadores. Em rádio e em disco, não há ,a rigor, conjuntos de choro, mas regionais , que são formados para acompanhar os astros da música vocal.
Nesta época obras primas são escritas para circular apenas no grupo estreito dos próprios chorões. O choro - como aliás toda a música instrumental - tornara-se uma música de público restrito, geralmente feito para uso interno de seus criadores. Claro que lá uma ou outra composição instrumental sempre conseguirá romper esse círculo de ferro
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