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Muito Alem do Jardim Botanico

Trabalho por Maira Fernandes, estudante de Comunicação @ , Em 22/04/2003

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A INDÚSTRIA CULTURAL:

A indústria cultural veicula nos bens que produz e são consumidos pelo público uma ideologia hegemonicamente burguesa nos países capitalistas .E ela é, sem dúvida, na maior parte das sociedades do Ocidente, inclusive no Brasil, o principal instrumento através do qual se reproduzem os valores culturais e ideológicos indispensáveis para a manutenção do poder da burguesia sobre as demais classes sociais . A influência da indústria cultural, em especial através do Rádio e da TV, há muito tempo superou a da Igreja e a da Escola (em especial num país desescolarizado como o nosso) e já começa a superar a família.

INDÙSTRIA CULTURAL E ESTADO

Os meios de comunicação são de fundamental importância para o Estado. Daí, a necessidade de maior vigilância sobre eles. Por outro lado, há a questão econômica.

Com burguesias frágeis não só do ponto de vista político mas também do econômico, com mercados internos de consumo desalentados, as sociedades latino-americanas têm dificuldade de manter sua indústria cultural nas mãos da iniciativa privada e sem o auxílio do Estado na forma de serviços incentivos ou publicidade ,não sobreviveriam. Este é o outro fator a influir nas relações Estado-indústria cultural.

A INDÚSTRIA CULTURAL NO BRASIL

A indústria cultural no Brasil toma como paradigma o modelo norte-americano de sistema da comunicação,porém o processo de produção em larga escala não combina com um mercado que apenas se inicia.

- Segundo dados, de 82,71. 389.000 dos 120 milhões de brasileiros são atingidos pela TV, enquanto os jornais não atinge 2 milhões de exemplares. O Brasil é uma sociedade cuja indústria cultural gira em torno da TV que domina quase toda a verba publicitária nacional.

- A Rede Globo de Televisão abocanha cerca de 62,5% da verba publicitária destinada a TV e 95% dos domicílios brasileiros. No horário nobre a globo continua com mais de 50%da audiência principalmente no horário do JN .

A REDE GLOBO DE TELEVISÃO

Em 30 de dezembro de 1957 é outorgada pelo então presidente, Juscelino Kubitscheck, a concessão a Rádio Globo S.A para que essa estabeleça uma emissora de radiotelevisão no Rio de Janeiro.

  • Em 65 assumia a liderança de Audiência através do contrato de assistência técnica feito com o grupo Time-Life.
  • No mesmo ano houve a decadência da cassação da concessão da TV Excelsior.
  • Em 1966, A Globo tratava de ganhar audiência sob a filosofia de que ela era um hábito. Assim, não interessava ter um programa bem colocado, era preciso tomar a liderança.
  • Em 69 A Time Life se retirava da Globo que se preparava para se tornar uma rede nacional, com a ajuda da recém-criada EMBRATEL e o Ministério da Comunicação.

TELEJORNALISMO

O telejornalismo é uma programação que gera mais prestígio do que lucro, e não depende apenas da qualidade das informações, mais de fatores externos, por exemplo: fluxo de audiência, programação que o sucede ou antecede e a contratações de profissionais que por si só sejam capazes de atrair o público.
Seguindo esse pensamento a Globo lançou em 69 o Jornal Nacional, com grande abrangência, que entraria ao ar no intervalo de duas novelas. A preocupação com o conteúdo era mínima, o importante era manter o fluxo de audiência.

JORNAL NACIONAL

  • O jornal nacional foi ao ar no dia 1/9/69. Data que coincide com o endurecimento do regime militar.
  • É um jornal inovador, rápido, com timing e ausência de background, apresentação visual fria e requintada.
  • Em 70, dão ênfase a um suposto milagre econômico e a ufanismo nacional e ignoram os problemas reais.
  • Noticiário sobre a greve dos metalúrgicos é cortado em 78 pelo Roberto Marinho.
  • O JN prestigiava o regime e esvaziava as oposições, pois não havia nenhum telejornalismo capaz de detê-los.