A Criança e a Tv, Uma Visão Psicanalítica
Segundo o livro de Raquel Soifer, a televisão chegou aos lares na década de 50 com o objetivo de entretenimento, informação e cultura, transformando-se num meio de unir os seres humanos do mundo. Visava-se a possibilidade de não existirem mais pessoas isoladas e sem acesso à instrução e à ciência. Com a Tv via-se uma possível ampla difusão de informação e com ela uma maior aproximação entre povos e diversas civilizações.
A psicóloga destaca que verificou-se que constante presença da Tv no recinto familiar havia acarretado, como efeito nocivo, uma diminuição da atenção entre os membros. E que também se observou que as crianças se tornam adeptas do aparelho assim como os adultos, e isto causa uma preocupação sobre os efeitos que a Tv poderia causar na formação da personalidade infantil.
O livro ressalta que os pais têm o hábito de utilizar a televisão como "babá eletrônica" ao colocar a criança desde o nascimento em frente a mesma, crendo que com o aparelho ligado ela vai se tranqüilizar. Em parte concordo com esta posição, já que a criança fica exposta a presenciar cenas que, certamente, são impróprias à sua idade.
Está explícito no texto que muitas vezes a televisão é vivenciada como uma companhia, tendo em vista que hoje em dia ocorre um alto índice de desmembramento familiar e que isso enfatiza a solidão, sendo assim é justificável o aparelho permanecer ligado por horas em lares onde não há crianças. Já em famílias onde estas estão presentes, a psicóloga ressalta que se deve refletir se é justo privar a criança da atenção de que ela tanto necessita em detrimento do aparelho tecnológico.
Ao longo do livro a autora explica e aborta a problemática dos efeitos ocasionados pela grande exposição infantil à programação televisiva na mente da criança.
Raquel diz que os pais estimulam nos filhos o habito de assistir televisão desde a terna infância, e que quando são abordados sobre o assunto falam que ao assistirem Tv as crianças adquirem informação, preparem-se para o mundo em que viverão e serão iguais aos demais. Além disso, a autora evidencia que são poucas as famílias que têm consciência do prejuízo que este habito ocasiona no início da infância e que também são poucas aquelas que percebem a trágica influência dos programas de violência, ou as que relacionam a isso as dificuldades de seus filhos. Neste ponto acho que a psicóloga começa a se tornar radical, pois não são todas as crianças que apresentam tantos desvios devido à televisão. A culpa cai sobre o aparelho, mas os pais que têm a responsabilidade de educar a criança para que ela forme um espírito critico sobre os programas assistidos e não saia tomando atitudes violentas, além de censurar certas programações, já que, dependendo da faixa etária da criança, há casos que a explicação do fato ocorrido em uma cena não seria compreendido pela mente infantil.
Em seguida, a autora começa a explicar a maneira como a mente infantil recebe o espetáculo televisivo. Começa explicando que a televisão requer a atuação muito intensa duas atenções associadas: a visual e a auditiva; encobrindo os estímulos percebidos pelos outros sentidos. Depois ressalta que isso ocorrem graças a um mecanismo chamado de identificação projetiva, o que permite imaginar que entramos dentro do outro ou que sentimos o mesmo que ele e ao mesmo tempo levando a acreditar que somos esse outro que está no palco ou na tela. Esse conjunto de sensações, segundo o livro, ocasiona a catarse, que significa o processo de exteriorizar as emoções contidas.
Tendo esses mecanismos em vista, a autora compara o espetáculo televiso com os sonhos, já que tanto a identificação
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