Sociologia e Comunicação - A Aura da Obra de Arte
Walter Benjamin diz que aura é a possibilidade de se contemplar ou de criar alguma coisa, e poder mantê-la afastada da difusão crescente e dos movimentos de massa, é uma figura singular. A aura da obra de arte é sua autenticidade, sua "magia". Sendo esta acentuada, tendo um valor único quase que secreto, longe dos "simples mortais", simboliza um ritual de grande contemplação. Quando um artista pinta seu quadro, ele está exteriorizando os seus sentimentos e a sua forma de ver o mundo, inserindo suas características particulares.
A aura te permite ter uma relação espiritualizada com a obra, te possibilita "viajar", é o que faz a relação obra - receptor ser tão interessante. Quando você está diante de algo único, acontece algo de "místico", há uma emoção maior, que acaba por te sensibilizar mais e você faz a sua interpretação pessoal e ilimitada. E o fato de uma pessoa poder, em poucos segundos, reproduzir algo que muitas vezes levou-se anos para ser criado, causa uma certa frustração.
Segundo Benjamin, com a exposição da obra de arte, ela se torna superficial, se transforma em algo comum na sociedade de massa, perdendo a sua relação de contemplação. Então, quanto mais exposta for a obra de arte, mais superficial e banalizada ela será.
E quando a obra de arte é reproduzida em série, ela perde a sua autenticidade, sua "magia". Um exemplo claro disso é a "Monalisa" na camiseta, o original de Da Vince foi banalizado. A reprodutibilidade técnica nos aproxima mais da obra de arte, mas não é de uma forma profunda, pois você deixa de passar pela obra, é ela que passa por você.
Essa mesma obra de arte que antes era usada em rituais de contemplação, com a reprodutibilidade técnica se emancipou. Isso caracteriza o declínio da aura e, consequentemente, sua perda. Benjamin diz que a produção artística deve começar com as imagens a serviço da magia, e o que importa nessas imagens é que elas existam e não que sejam vistas. Esse é o valor de culto, o que quase obriga a manter secretas as obras de arte. E esse mesmo valor de culto é que morre na sociedade onde ocorre a reprodutibilidade técnica e a reprodução em massa.
Muitas vezes as pessoas gostam da obra de arte por pura informação, porque é preciso socialmente gostar dela, mas para entender essa obra é necessário se integrar e se entregar à ela.
Quando houve a passagem do desenho do real para a fotografia, a reprodução de imagens experimentou uma grande aceleração, pois o olho apreende mais depressa do que a mão desenha. Em relação à autenticidade, já não acontece com a reprodução técnica o que acontece com a reprodução manual, pois essa última é considerada uma falsificação do real, por mais perfeita que ela seja. Diante do original a reprodução técnica tem mais autonomia do que a manual, tendo em vista como exemplo a fotografia, que pode acentuar certos aspectos do original. Além disso, ela também pode, graças a ampliação e/ou a câmera lenta, fixar imagens que fogem da ótica natural. Mas mesmo que essas novas técnicas e circunstâncias deixem o conteúdo intacto, elas desvalorizam o "aqui e agora" da obra de arte. Na reprodução manual há o reforço da aura.
No caso do cinema, eu não cultuo uma cena apenas, cultuo o filme como um todo. Um filme pode ser considerado um obra de arte, pois leva as pessoas para outro lugar (de forma figurada). O cinema é uma possibilidade do homem representar a si mesmo.
Assim como Adorno e Horkheiner, Walter Benjamin também era apocalíptico.
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