Fazer pesquisa em uma ou mais carreiras específicas:

Administração Agronomia Arquitetura Arquivologia Arte Astronomia Biblioteconomia Biologia
Bioquímica Cinema Ciências Sociais Colegial Comunicação Contabilidade Desenho Industrial Direito
Diversos Economia Educação Física Enfermagem Engenharia Estatística Farmácia Filosofia
Fisioterapia Fonoaudiologia Geografia História Hotelaria Informática Letras Marketing
Medicina Nutrição Odontologia Pedagogia Produção Cultural Psicologia Química Rel. Internacionais
Secretariado Executivo Serviço Social Terapia Ocupacional Turismo Veterinária Zootecnia


Compartilhe

Tag Cloud

Estruturas Elementares do Parentesco

Trabalho por Letícia Cesarino, estudante de Ciências Sociais @ , Em 22/04/2003

5

Tamanho da fonte: a- A+

Estruturas Elementares do Parantesco


FICHAMENTO: LÉVI-STRAUSS, Claude. "Os Sistemas Clássicos", in: As Estruturas Elementares do Parentesco, Petrópolis: Vozes, 1982.

O autor tratará, neste capítulo, dos sistemas de troca restrita onde o grupo se divide em pares de unidades de troca do tipo duas metades, quatro seções, e oito subseções. Estes tipos serão analisados basicamente quanto às regras de matrimônio que envolvem. Lévi-Strauss começa atestando que a passagem do sistema mais simples, de metades exogâmicas, para o de quatro seções (através da sobreposição de uma dicotomia fundada em um dos modos de filiação, matrilinear ou patrilinear, a uma dicotomia fundada no outro) não necessariamente modifica a regra de casamento entre os primos: continua interdito o casamento entre os paralelos, e autorizada a união entre os primos cruzados. Assim, a questão levantada pelo autor no início do capítulo, e que continua em aberto no final dele, é por que essa passagem não introduz uma dicotomia baseada no reconhecimento da diferença entre os primos cruzados matrilineares e patrilineares?

Os exemplos etnográficos são de tribos australianas, e nosso autor introduz, aqui, as interpretações divergentes de Radcliffe-Brown e Lawrence para seus sistemas de parentesco. Radcliffe-Brown identificou o grupo patrilinear territorial local (horda) como unidade sociológica fundamental. Já Lawrence, apesar de também admitir a ação de duas dicotomias (matri e patrilinear) no território australiano, parte da noção de troca das irmãs, portanto da dicotomia matrilinear, como forma constante. Lévi-Strauss considera essas divergências uma mera questão de método. O acento colocado em um ou outro tipo torna-se secundário quando se amplia a noção de troca: "em sua forma generalizada, ela pode se processar tanto em hordas patrilineares como em metades matrilineares" (p.191).

Por outro lado, tomando a análise de Kroeber da regra de residência como parte de uma estrutura primária, Lévi-Strauss conclui que não se trata de estabelecer uma hierarquia entre os fenômenos, mas de compreender as relações que se estabelecem entre eles. Além disso, ele resolve a contradição entre perspectiva histórica e lógica, observada nesses autores, também através da ampliação da troca: "a passagem da concepção restrita da troca à concepção generalizada elimina esta aparente contradição, e ... a análise lógica e a análise histórica tornam-se igualmente possíveis a partir do grupo local" (p.193).

O autor trata, em seguida, do problema da relação entre os tipos de sistema matrimonial. Começa afirmando que não há uma seqüência evolutiva ou hierárquica: um sistema com classes não é superior a um sem classes, e a passagem de um tipo de divisão em classes para outro não só é logicamente possível, como se trata de um dado empírico. Toma, então, o caso dos Murimbata como exemplo de difusão dos sistemas matrimoniais, mostrando que existe um problema de adaptação entre o "sistema tradicional" e o "sistema tomado emprestado", e que os nativos, para consertar eventuais distorções, se valem de artifícios como utilizar o antigo tratamento patrilinear da filiação dentro de um sistema que é agora matrilinear. Assim, Lévi-Strauss conclui que "os sistemas não devem ser tratados como objetos isolados ... por trás dos sistemas concretos ... há relações mais simples que permitem todas as transições e adaptações" (p.196), quais sejam, as "relações elementares".

O autor toma, então, o exemplo dos Kariera para analisar a divisão em quatro seções. Ele nota que, na comparação entre esse sistema e o sistema de metades exogâmicas matrilineares, a única diferença é o acréscimo de uma divisão perpendicular em metades patrilineares. Além disso, na tentativa de definição dos métodos de determinação do cônjuge, nota-se a falta de coincidência rigorosa entre uma determinação pelas classes ou pelo parentesco. Assim, "se considerarmos a estrutura geral anexa, percebe-se que [o sistema de quatro seções] não difere, tanto quanto se poderia esperar, da estrutura de um grupo dividido em duas metades" (p.201).