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A Herança Intelectual da Sociologia

Trabalho por Mariana Notari Pimenta de Oliveira, estudante de Ciências Sociais @ , Em 22/04/2003

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Resumo do texto: "A HERANÇA INTELECTUAL DA SOCIOLOGIA"


(Florestan Fernandes)

A Sociologia não se limita ao estudo das condições de existência social dos seres humanos. Esta preocupa-se, com a aplicação do ponto de vista científico à observação e à explicação dos fenômenos sociais. As indagações específicas do pensamento humano começam a adquirir consistência científica no mundo moderno, devido a extensão dos princípios e do método da ciência à investigação das condições de existência social dos seres humanos. O homem sempre foi o principal objeto da curiosidade humana e sempre houve a preocupação com questões relativas a origem, a vida e ao destino de seus semelhantes.

Portanto, a Sociologia está ligada às condições histórico-sociais de existência, nas quais ela é intelectualmente necessária. Esta ciência nasce e se desenvolve como um dos florescimentos intelectuais mais complicados das situações de existência nas modernas sociedades industriais e de classes.

Os pioneiros e fundadores dessa disciplina se caracterizam pela participação relativamente ativa das grandes correntes de opinião dominantes na época, no campo da reflexão e no campo da ação. Estes pretendiam modificar a sociedade em que viviam.

A Sociologia nasceu da conjugação dos efeitos das crises sociais com os da revolução da mentalidade, produzida pelo advento do pensamento científico.

Vista em termos dos ideais da investigação científica, a vinculação da Sociologia com as situações de existência social pode ser apreciada tanto de modo positivo, quanto negativo.

A explicação sociológica exige, como requisito essencial, um estado de espírito que permita entender a vida em sociedade como estando submetida a uma ordem, produzida pelo próprio concurso das condições, fatores e produtos da vida social. No mundo moderno, ele se constituiu devido à desagregação da sociedade feudal e à evolução do sistema capitalista de produção, com sua economia de mercado e a correspondente expansão das atividades urbanas.

Todo sujeito percebe o mundo exterior e as próprias tendências através de categorias de pensamento herdadas da sociedade em que vive. Quando a herança cultural é constituída por categorias de pensamentos modeladas pelo influxo direto das tradições, a percepção social acaba sendo condicionada de forma estática, o que restringe as potencialidades críticas e inconformistas dos agentes humanos, em face de suas situações de existência. Nas condições de instabilidade, ligadas a desagregação da sociedade medieval e à formação do mundo moderno, as inconsistências daquelas categorias absolutas e estáticas do pensamento se fizeram sentir com rapidez. Como se estava em uma era de revolução social, elas não foram simplesmente rejeitadas: as formas de saber de que elas derivavam, de diversas maneiras e sob diferentes fundamentos, o uso da razão, é que foram condenadas e substituídas. O que se poderia designar como consciência realista das condições de existência emerge e progride através de exigências de novas situações de vida, mais complexas e instáveis.

As modificações possuem uma significação excepcional, pois foi por meio delas que se projetaram na vida prática as diversas noções que fizeram da atividade humana, o próprio cerne de todo o progresso econômico, político ou cultural.

A filosofia moderna ofereceu os meios intelectuais através dos quais se esboçaram as primeiras tentativas de explicação realista sistemática das condições e efeitos da vida humana em sociedade.

Com o aparecimento da Sociologia, não só se amplia o sistema das ciências, como se descobrem meios intelectuais plenamente adequados as necessidades de desenvolvimento criador dos modos secularizados de perceber e de explicar o mundo.

No plano prático, os ideais de racionalização concorreram para alimentar a aspiração de inventar técnicas de manipulação ou de controle das situações de existência social, modeladas segundo os padrões do conhecimento positivo-racional.

A filosofia