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Etnocentrismo

Trabalho por Karine Marinho, estudante de Ciências Sociais @ , Em 22/04/2003

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O ETNOCENTRISMO

O etnocentrismo é uma tendência para julgar tudo em relação às normas e aos comportamentos do grupo social a que se pertence. Corresponde a uma percepção da vida e da sociedade do observador; faz da sua cultura a norma ou a referência na análise de outras realidades sociais.

O etnocentrismo é um obstáculo epistemológico, porque as outras sociedades são observadas em função da nossa e porque é portador de preconceitos étnicos, racismo, xenofobia que são manifestações de uma visão unilateral e deformada da realidade social.

A análise objetiva da realidade social exige que nos coloquemos numa perspectiva não etnocêntrica, abertos a novas formas de agir e de pensar, diferentes das nossas, mas igualmente boas, aceitáveis, certas, adequadas no contexto social em que se inscrevem.

A partir da identidade entre grupos de "membros" de relação normativa acontecem dois modelos de relação para com culturas estranhas:

a) A identidade exclusivamente pelo sistema de normas de sua própria cultura. O que as culturas "estranhas" apresentam de diferente é desvalorizado como incivilizado, bárbaro ou simplesmente exótico.

b) A cultura "estranha" atua como grupos de comparação crítica com relação a deficiências práticas do grupo central. Com isso possui a cultura estranha uma função positiva, sem que com isso o sistema de normas do grupo central seja colocado em questão, pois as deficiências deste grupo originam-se simplesmente da não observação estrita de suas próprias normas ou tradições - deficiências estas que apenas pelo contraste com a realidade do grupo estranho aparecem à lembrança. O grupo estranho atua aqui como espelho crítico da cultura própria - a idéia do "bon sauvage" é um exemplo clássico disto.

O primeiro contexto histórico que conheceu manifestações de racismo (etnocentrismo) foi o da expansão colonial européia para América e para a África e Austrália. Desde os séculos XV-XVI a Europa, além de conhecer transferências de massa de europeus em direção à América (45 milhões para os Estados Unidos e Canadá, 20 milhões para América Central e do Sul), à África (17 milhões), fez transportar cerca de 15 milhões de Africanos negros para o continente americano como mão de obra escrava. Em quase todos estes processos de colonização presidia a idéia de que aos colonizadores cabia-lhes a missão de cristianizar os indígenas e sobretudo transmitir-lhes a sua superior civilização, o que, independentemente das diferentes ou até contrárias percepções dos povos colonizados, se tornava possível graças ao poderio econômico e à subjugação política por parte dos europeus (por exemplo, exploração nas plantações, paternalismo e repressão política). Aqui a questão racial tendia a confundir-se com a questão da exploração econômica e a dominação política coloniais.

Foi neste contexto e sobretudo a partir do século XVII que tomaram corpo as atitudes racistas não só em termos biológicos e cultural-simbólicos (o culto genealógico e a pureza do sangue branco designadamente aristocrata, o branco como sinal de pureza e personalização do bem e o negro como sintoma de impureza ou incarnação do mal) mas sobretudo em termos econômicos e políticos, dando lugar a uma desenfreada exploração econômica (uso de trabalho escravo e, posteriormente, assalariado) e dominação política (negação de participação política, negação dos direitos de cidadania) aos negros, índios e outros povos considerados 'bárbaros' e 'selvagens'.

Também não é muito diferente a história dos índios brasileiros (e dos da América do Norte): como na África, os colonizadores brancos foram invadindo as terras indígenas, ao mesmo tempo que caçavam e escravizavam os seus tradicionais ocupantes. Além disso, a desagregação da vida tribal dos índios se fez com a introdução, pelos brancos, de novos valores e costumes.

Todos esses povos são considerados "minorias". Com bastante freqüência, porém, o termo "minoria" vem carregado de preconceitos, e torna-se sinônimo, não de uma situação numérica, mas da inferioridade de um povo. Assim, as minorias étnicas são desprezadas como "inferiores" e, consequentemente, marginalizadas.