HISTÓRIA DO LIVRO
Colégio Isaac Newton
2008
INTRODUÇÃO
O formato do livro, tal qual o conhecemos hoje no Ocidente, tem sua evolução retratável até o antigo Egito. Por milênios, esta forma foi acompanhando os passos da civilização, de que o livro é elemento chave. Evoluiu como evoluiu o uso e a necessidade do texto escrito e, como tudo na história dos homens, moldando-se aos limites do material ao mesmo tempo em que sempre os superando em prol de maior velocidade, economia e funcionalidade. É uma longa história de tentativas, erros e acertos no mais das vezes anônimos. . Os antigos cristãos, cuja religião era assentada na Palavra e sua difusão, ao substituÃrem o rolo de papiro pelo códex de pergaminho talvez não percebessem que ao optar por um material mais barato e um formato de mais fácil transporte, promoviam uma revolução na postura do leitor: folheável, e não mais desenrolável, o livro se tornava mais acessÃvel, incentivava a pesquisa, e podia até ser anotado, fato que acarretou mudança incalculável na vida intelectual.
A invenção da imprensa talvez fosse relegada à gaveta por séculos, não tivesse o papel, suporte mais barato que o pergaminho entrado na Europa pouco antes — o pergaminho não suportava a prensa —, não tivesse, sobretudo o advento das universidades, do humanismo, da contra-reforma produzido um número crescente de ávidos leitores.
No século XVI, o livro adquiria a forma e estrutura que nos são hoje familiares. Só vêm mudando desde então as tecnologias de edição, e suas caracterÃsticas estéticas. .
Com as facilidades trazidas pela informática, nunca se produziu tantos livros como hoje — quase qualquer pessoa pode diagramar um livro e imprimi-lo em alguns exemplares nas gráficas rápidas. Em meio a tanta profusão de recursos fáceis, importa conhecer um pouco da história do livro, das razões de sua forma ser esta e não outra, para encontrar a harmonia entre a criatividade e a experiência acumulada.
HISTÓRIA
OS MANUSCRITOS NA IDADE MÉDIA
A predominância dos manuscritos quase absoluta foi para os textos religiosos. Acreditava-se que caberia aos conventos abrigar não só textos sagrados como também literários; assim os monges fazendo as cópias dos antigos textos colaborariam para o aperfeiçoamento da vida monacal. Considerava-se que a leitura da BÃblia era capaz de atender as necessidades intelectuais, dispensando-se a literatura, a filosofia e as ciências clássicas como heréticas; até mesmo a gramática não era admitida. Por isso a produção de livros nesta época se limitara só aos mosteiros. No mosteiro Saint-Gall chegou-se a ter 300 monges trabalhando nas cópias dos manuscritos.
Algumas caracterÃsticas destes manuscritos eram, por exemplo, as letras capitulares e unciais (tal qual a capitular, sofrendo um arredondamento); a escrita cursiva (letras pequenas traçadas de modo rápido e corrente); ligação entre as letras, o que favorecia a rapidez no ato de escrever (isto não ocorria na antiguidade, à s letras eram separadas); a escrita gótica (angular, de linhas quebradas), também chamada letra de missal, que ainda hoje se usa na Alemanha. As abreviaturas da antiguidade continuam a aparecer neste perÃodo, devido à escassez do pergaminho e necessidade de escrever mais depressa. O local do convento onde faziam as cópias dos manuscritos chamava-se scriptorium, era amplo, claro, com repartições e uma janela para cada escriba (calÃgrafo), embora esses scriptorium não tivessem um local especÃfico. O trabalho começava cedo e durava 6 horas. O monge era chamado de armarius ou bibliothecarius, o aprendiz era librari ou scriptoril.
Ao começar as anotações, a primeira frase do texto era “hic incipit, ao terminar “explicitus estâ€, prática que vinha desde a antiguidadeâ€. Registrava no final a data, o lugar e à s vezes o seu nome, além do nome daquele para quem foi copiado, este conjunto de informações é o
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