OS MANUSCRITOS NA IDADE MÉDIA
A predominância dos manuscritos quase absoluta foi para os textos religiosos. Acreditava-se que caberia aos conventos abrigar não só textos sagrados como também literários; assim os monges fazendo as cópias dos antigos textos colaborariam para o aperfeiçoamento da vida monacal. Considerava-se que a leitura da Bíblia era capaz de atender as necessidades intelectuais, dispensando-se a literatura, a filosofia e as ciências clássicas como heréticas; até mesmo a gramática não era admitida. Por isso a produção de livros nesta época se limitara só aos mosteiros.
No mosteiro Saint-Gall chegou-se a ter 300 monges trabalhando nas cópias dos manuscritos. Algumas características destes manuscritos eram, por exemplo, as letras capitulares e unciais (tal qual a capitular, sofrendo um arredondamento); a escrita cursiva (letras pequenas traçadas de modo rápido e corrente); ligação entre as letras, o que favorecia a rapidez no ato de escrever (isto não ocorria na antiguidade, as letras eram separadas); a escrita gótica (angular, de linhas quebradas), também chamada letra de missal, que ainda hoje se usa na Alemanha. As abreviaturas da antiguidade continuam a aparecer neste período, devido à escassez do pergaminho e necessidade de escrever mais depressa.
O local do convento onde faziam as cópias dos manuscritos chamava-se scriptorium, era amplo, claro, com repartições e uma janela para cada escriba (calígrafo), embora esses scriptorium não tivessem um local específico. O trabalho começava cedo e durava 6 horas. O monge era chamado de armarius ou bibliothecarius, o aprendiz era librari ou scriptoril. Ao começar as anotações, a primeira frase do texto era "hic incipit" (aqui começa), ao terminar "explicitus est", prática que vinha desde a antiguidade. Registrava no final a data, o lugar e às vezes o seu nome, além do nome daquele para quem foi copiado, este conjunto de informações é o colofão. Algumas vezes eles anotavam o estado de espírito.
O trabalho dos copistas era lento, calcula-se 4 a 6 páginas por dia para cada calígrafo. O armarius ditava o texto para o escriba, daí algumas cópias com erros, quando não queriam que isso acontecesse recorria-se ao antiquarius (copista culto e experiente) que deixavam escrito "contuli, emendavi" (conferi e corrigi). A luz artificial era proibida nos scriptorium, pelo receio de incêndio. Por causa da escassez do pergaminho, parte dos manuscritos eram palimpsestos, onde muitas vezes cederam lugar a textos religiosos quando antes eram profanos. É na Idade Média em que o rolo é substituído pelo codex; e o papiro pelo pergaminho.
A decoração dos manuscritos seguia-se após o copista ter encerrado sua parte. O manuscrito era encaminhado aos decoradores. O miniaturista, ou rubricador era encarregado de desenhar letras maiúsculas, as iniciais dos parágrafos ou capítulos, cujos espaços os copistas deixavam livres. O miniaturista decoravam-nos o interior com arabescos e floreios a princípio na cor vermelha, mais tarde mais rica e mais complexa em cores. Ele evolui e passa a se chamar iluminador. O fim da miniatura e da iluminura cedeu lugar nas novas ilustrações criada pela arte tipográfica, mas não do manuscrito. O crisógrafos eram artistas que usavam ouro nas letras. As ilustrações eram de gosto plástico (não tinha nenhuma ligação com o texto), e não representativo.
Terminada a tarefa do escriba e a do miniaturista ou iluminador, a encadernação do manuscrito passava ao ligator librorum, ou seja. o encadernador. A arte da encadernação também veio da antiguidade como o miniaturista.
Chapas de madeira amarradas por duas tiras de couro, constituíram as primeiras capas duras. Eram conhecidas pelos romanos, os diptycha, retângulos de madeira cobertos de cera, evoluíram em chapas de marfim trabalhadas, que protegiam as folhas de textos especiais. No séc. V chapas de ouro ou prata, cinzeladas, recoberta de pedras apareceram como
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