INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA DE EDSON NERY DA FONSECA
Recife - PE
Julho / 2003
"Isso é a grandeza admirável da Biblioteconomia! Ela torna perfeitamente acháveis os livros como os seres, e alimpa a escolha dos estudiosos de toda suja confusão. Este o seu mérito grave e primeiro".Mário de Andrade
INTRODUÇÃO
O assunto a ser tratado, é de grande importância. Nos vai proporcionar um melhor entendimento sobre o Livro como forma de vida humana, como conflito, a base física, sua autoria e seu conteúdo; a Biblioteca e seu novo conceito, suas diferentes categorias; o Leitor/leitura, leitor e não-leitor; o Bibliotecário, suas missões, suas formações, sua atualização; todos esses itens também no contexto do Brasil.
O termo "Biblioteconomia" deriva do termo biblioteca que é composto por biblio (livro) e theke (caixa), talvez por esse fato o público associe a palavra "Biblioteconomia" aos livros, à biblioteca, às técnicas empregadas e aos serviços prestados no âmbito desta instituição.
Já há algumas décadas, a área de biblioteconomia vem trabalhando com a informação independente de seu suporte físico (discos, patentes, cds, vídeos, anais de congressos, manuscritos, cartazes, fotografias, etc.) e da instituição que a possui. Assim, o objeto de estudo, as pesquisas, as atividades profissionais e o ensino na área deslocaram-se historicamente, do eixo livro (suporte) para informação (conteúdo), do controle do acervo de uma biblioteca para o acesso à informação por meio de canais de comunicação "formais" (documentos) e "informais" (pessoas, redes eletrônicas, colégios invisíveis).
"Um bom livro é aquele que se abre com expectativa e se fecha com proveito." Louisa May Alcott
O LIVRO
Indica material com que se fabricava o papel na antiguidade, isto é, a entrecasca de certos vegetais que transformada em pasta, adquire a forma laminada. É definida pelos dicionários como reunião de cadernos de papel contendo um texto manuscrito ou impresso. Fernando Pessoa em um de seus poemas disse que livros são papéis pintados com tintas.
O livro como forma de vida humana, segundo Ortega y Gasset: "tremenda realidade humana". Sócrates ensina Fedro a distinguir o verdadeiro do falso livro. O verdadeiro é aquele cujo autor tem algo de novo a revelar. Platão dizia que são dizeres escritos.
No período paleolítico o homem primitivo gravou em pedra seus primeiros dizeres escritos, antecedentes do livro. A representação da linguagem verbal articulada surgiu muito depois em papiro. E o alfabeto apareceria mais de mil anos depois.
Com o desenvolvimento científico e tecnológico surge a explosão bibliográfica, caracterizada agora em termos de livro. Paul Otlet estimou em 12 milhões o número de livros publicados no mundo após a invenção da imprensa. A estimativa atual é de 50 milhões. Em 1945 com o advento da fotocomposição, deflagrava a chamada "revolução de brochura", que foi aperfeiçoado cinco anos depois para "livro de bolso".
Um livro quando mal escrito é um inimigo silencioso que aborrece, quando bem escrito pode desencadear tragédias. Quando produzido artesanalmente podia e pode obedecer a caprichos artísticos, quando industrializado ele se submete a normas técnicas. O papel empregado para produção deve ser desacidificado; por isso os livros antigos chegaram até nós, enquanto os modernos já estão amarelados e somente sobrevivem quando desacidificados por meio do hidróxido e do bicarbonato de cálcio.
Compõe-se de dois elementos: a capa e o miolo. Todo livro tem quatro capas e não apenas uma, a primeira, é a face externa da capa anterior (aparecem o nome do autor, o título da obra e o nome do editor; nela podemos distinguir o dorso ou lombada, os cantos e os cortes; alguns livros são cobertos pela sobrecapa: cobertura de papel
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