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80 Anos da Semana da Arte Moderna

Trabalho por Eduardo Willian, estudante de Arte @ , Em 22/04/2003

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Data: 13/03/02

Em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, era lançado o primeiro liquidificador no Brasil. Mas, um momento! O que um liquidificador tem a ver com o nosso assunto, a Guerra Fria? Tem tudo a ver. Liquidificador, televisão, máquina de lavar, torradeira, aspirador de pó... Enfim, o uso da tecnologia na vida cotidiana refletia, e ainda reflete, um determinado modo de vida, um ideal de felicidade inspirado na sociedade consumista surgida nos Estados Unidos nos anos 20. Foi justamente a partir desse modo de vida típico do capitalismo que se desenvolveu a mensagem ideológica ocidental durante a Guerra Fria. Uma mensagem que se propagou por todo o mundo capitalista.

Ideologia do consumo

Em todo o mundo fora da esfera socialista, comprar eletrodomésticos e automóveis tornou-se parte de um projeto de vida. O Brasil recebeu em cheio o impacto da ideologia consumista e da revolução tecnológica norte-americana. Nossa classe média, principalmente, adotou o sonho do carro na garagem e consumiu em larga escala a fantasia exportada por Hollywood.

Cena de São Paulo nos anos 20

Essa realidade teve origem nos primeiros vinte anos do nosso século. Se o Rio de Janeiro era a capital política e administrativa do país, São Paulo foi a metrópole que mais rapidamente sentiu o impacto dos novos tempos. Recebeu a primeira linha de montagem da Ford no país, em 1919. No início dos anos 20, alguns bairros da capital já contavam com um sistema de transporte coletivo.

Na gestão de Washington Luís como presidente do estado de São Paulo começaram a rodar os primeiros carros a gasolina. Os rapazes de famílias ricas passeavam com seus automóveis causando medo e apreensão entre os pedestres. Em 1922 foram instaladas em São Paulo novas linhas postais, telegráficas e telefônicas. Em janeiro de 1924, a cidade viu nascer a Rádio Educadora, criada para dotar o estado de uma emissora com fins culturais. Àquela altura o Brasil já contava com a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em abril de 1923. A capital paulista contava, então, com 14 salas de cinema e seis de teatro. Na época, era a segunda cidade mais habitada do Brasil, mas abrigava sozinha um terço da mão-de-obra industrial do País, empregando em suas fábricas cerca de 140 mil operários.

As novas tecnologias e a arte

Os avanços trazidos pelas novas tecnologias modificaram o cenário urbano. A cidade começou a se verticalizar e ganhar seus célebres arranha-céus, como o Edifício Martinelli, construído no início dos anos 30 a partir das concepções urbanísticas de Nova York e Chicago.

Ed. Martinelli: arranha-céu paulistano

A chegada das novas tecnologias industriais foi notada também pelos artistas brasileiros. Eles sentiram o início de uma nova era na história da humanidade, cheia de inovações tecnológicas. Ao mesmo tempo, levantaram uma questão central: onde estaria a identidade nacional nesse redemoinho de novas possibilidades, nas mudanças radicais que afetavam o mundo? Essas inquietações estimularam o surgimento da Semana de Arte Moderna de 1922. Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e todos os artistas envolvidos na Semana de 22 tinham, em geral, uma formação intelectual e técnica muito mais européia do que americana. Mas foram obrigados a dialogar com a realidade tecnológica exportada pelos Estados Unidos.

"A afirmação de que a Semana de Arte de 22 foi o evento mais significativo na história cultural brasileira acaba por acobertar alguns outros significados que podem ser associados ao Modernismo. Para além de ser um capítulo na história da nossa literatura, das artes plásticas, da música, o Modernismo foi significativo para a composição, para a fundação de uma nova identidade nacional. Os artistas, os participantes da Semana de 22 procuraram incorporar todos os procedimentos técnicos poéticos