A IDENTIDADE CULTURAL NA PÓS-MODERNIDADE (HALL, Stuart)
Identidade cultural: uma questão paradigmática, presente em todos os campos de discussão atualmente. O sujeito pós-moderno é um sujeito perdido nas referências ou sua referência é uma constante migração por entre as diversas identidades culturais? Mas o que entendemos por identidade cultural? Uma combinação de referências social forma as diversas identidades no qual esse sujeito pós-moderno circula. Quais são essas referências e porquê essa permeabilidade? Partindo do ponto de que o homem sempre esteve aberto a experiências diversas, de outras culturas e tradições, vivemos hoje uma completa heterogenização cultural (ao contrário do que muitos "fundamentalistas" pregam), que alguns teóricos chamam de multiculturalização. O sujeito não se identifica apenas com a sua "cultura" (refiro-me a culturas especificas, como por exemplo, a cultura Afro, ou a cultura Celta, que são predominantemente regionais, onde os indivíduos se identificavam segundo sua origem geográfica) mas com identidades comuns a humanidade. Hoje é muito fácil, principalmente por causa dos avanços na área da comunicação, compartilharmos de experiências além de nossas fronteiras culturais. Digo isso não só por causa da internet (que na minha opinião foi o maior passo para a comunicação entre "povos" desde a invenção do telefone), mas a facilidade de nos transportarmos para outras cidades, países e continentes, a mídia via satélite e a unificação econômica (não necessariamente no melhor sentido da expressão).
Entendo referências culturais como sendo as bases de uma identidade. Por exemplo, o nacionalismo é um tipo de identidade. Se eu me identifico com as tradições brasileiras, compartilho da mesma língua (português) e vivo as mesmas experiências culturais, posso me identificar como um brasileiro, mesmo não sendo nascido no Brasil, pois existem muitos imigrantes que se consideram mais brasileiros do que os próprios. As referências culturais podem ser motivo, tanto de união quanto de segregação. Tivemos vários exemplos ao longo da história. A criação do Estado de Israel após a Segunda Guerra foi um fator unificador entre os judeus, mas a mesma Israel esta sendo palco da segregação e da xenofobia, pois os antigos habitantes, os Palestinos, não aceitam perder sua hegemonia dentro de seu território. Por sua vez, os judeus (com poderes adquiridos por convenção internacional, dentro do território israelense) entram com argumentos históricos e com sua força armada (apoiada por "estrangeiros") para ganhar a palavra nessa briga. Se de um lado os Palestinos se uniram entre si contra um só inimigo, assim como os Judeus, eles destroem e segregam os povos numa guerra que parece nunca ter fim, pelo menos enquanto durarem essa identificação avessa um ao outro. No entanto, no resto do mundo vivemos a multiculturalização provida pela globalização e pelo imperialismo norte-americano e europeu. Estamos vivendo hoje em extensões dessas regiões. A América do Sul, assim como a África e Ásia se tornaram extensões culturais ou miniaturas dos costumes europeus e norte-americanos. Mas a cultura deles é cara e nem todos podem pagar o preço. Nesse jogo ganha quem tiver mais para importar os símbolos da civilização e do progresso (Nike, McDonalds, Coca-Cola, etc). Mas por incrível que pareça, é assim que nos tornamos mais híbridos. Fundimos culturas alheias dentro das nossas próprias tradições. Somos hoje uma civilização que compra Acarajé Delivery, China In Box e Taco Bell. Nada mais prático do que viver experiências multiculturais no ambiente de sua própria casa. O problema é que além de nos tornarmos cultuadores da superficialidade, do efêmero e do evento, nos tormamos cada vez mais individualistas criando mais barreiras dentro do convívio social e conseqüentemente, da fixação de uma identidade cultural.
VINCENT
(...) Um monte de m** que temos aqui, eles tem lá. Mas eles são um pouco diferentes.
JULES
Exemplos?
VINCENT
Bem, em Amsterdã, você
Ferramenta