A QUESTÃO DA RUPTURA DO SUPORTE TRADICIONAL NAS SEGUNDAS VANGUARDAS
As décadas de sessenta e setenta do século passado deram início a uma produção artística que rompera com todos os formalismos e tradicionalismos a que estava subjugada a arte. Novos conceitos foram introduzidos, ampliando as possibilidades de se fazer arte, sem que para isso tivesse necessariamente que estar preso a uma tela, ao papel, ao objeto escultórico de materiais nobres como bronze e o mármore.
Mas essa nova tendência ou estética teria origem principalmente nessas duas décadas se não houvesse existido a figura, a presença e o nome sempre marcante de Marcel Duchamp e sua fase dadaísta, pois esta provocou um choque no público, na crítica e em seus próprios colegas. Os famosos "ready-mades" de Duchamp (exemplo mais significativo "Fountain - 1917"), representam a partir daí uma ruptura com a arte tradicional. A partir da apropriação de objetos do cotidiano, descontextualizando-os e elevando-os à categoria de obras de arte, Duchamp não rompe somente com as forma de arte, mas também com o conceito da própria arte. Pode-se dizer que a arte dadaísta preparou o terreno para os futuros movimentos vanguardistas.
A insuficiência da tela ou da escultura diante da vontade de conquistar novas bases para a expressão, fez com que a arte perpassasse por nuanças jamais imaginadas. As segundas vanguardas foram as responsáveis por nos mostrar a inesgotável capacidade e criatividade dos diversos artistas em manifestar sua arte. Novas terminologias foram acrescidas ao vocabulário artístico. "Arte Conceitual", "Body Art", "Land Art", "Happening", "Instalações", "Performance", etc., serviram e servem para definir uma arte cuja característica principal é a ruptura do suporte tradicional e a sua condição efêmera.
O happening que busca sua origem no início dos anos 50, tem como característica principal a interatividade com o público. Os espetáculos, diferentemente do teatro ou da performance, freqüentemente comparados, busca na participação do público condição essencial para o seu desenvolvimento. A improvisação, a falta ou mesmo a presença de um de cenário e o caráter único de apresentação representa a mais pura expressão da arte efêmera.
De início tais espetáculos visavam criticar a sociedade industrializada, emergida num mundo de acelerado processo tecnológico. Entretanto, não tinha um caráter agressivo ou provocador, como o de seus antecedentes futuristas e dadaístas, pois dependia do público para sua plena execução.
O objeto de arte já não é elemento de destaque para as manifestações artísticas das segundas vanguardas. O que importa é a idéia. Surge então, a arte conceitual, ou seja, arte como idéia, onde a materialidade física do objeto torna-se elemento secundário para a compreensão da arte. Então, a arte chega no seu estágio máximo da desmaterialização. Não há limites para o desenvolvimento dessa arte baseada num embasamento teórico.
Os meios utilizados pelos artistas foram os mais diversos, não se assemelhando com o suporte tradicional, ou melhor, foram utilizados novos suportes para expressar e registrar sua arte. Como muito dos trabalhos desenvolvidos na linha da arte conceitual são de caráter efêmero, não necessitando de locais preestabelecidos, ou mesmo sendo desenvolvidos em situações e locais de difícil acesso (exemplo, "A grande Cortina vermelha" entre duas montanhas em Rifle, do artista Christo), utilizaram-se de recursos como fotografia e vídeo para registrar tais trabalhos. "A ruptura do suporte, no entanto, é apenas um aspecto do movimento mais amplo de desmaterialização, que pertence não só à definição da obra de arte, mas a própria maneira de o homem habitar o mundo neste fim de século".
O movimento conceitual buscou através de novas tecnologias e da interdisciplinaridade fazer o que a arte tradicional muitas vezes não alcançava. Notava-se que a percepção do espectador não provocava questionamentos a cerca da obra (tradicional) acabada. Já na arte conceitual
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