Análise Estética da Obra "O Grito"
O GRITO
Galeria Nacional, Oslo-(XX)
EDVARD MUNCH
O século XX foi testemunha de uma produção artística onde predominou uma diversidade de tendências ou estilos estéticos dos mais variados. A produção artística rompera com todos os formalismos e tradicionalismos a que estava subjugada a arte. Novos conceitos foram introduzidos, ampliando as possibilidades de se fazer arte, sem que para isso tivesse necessariamente que estar preso a uma tela, ao papel, ao objeto escultórico de materiais nobres como bronze e o mármore.
Não há uma ruptura somente com as formas de arte, mas também com o conceito da própria arte. Quebra o suporte tradicional do objeto artístico valorando mais a idéia do que o próprio objeto em si (arte conceitual). Chegou a um ponto onde tudo pode ser considerado arte. "O uso das novas tecnologias no processo artístico é o que tem reconfigurado o campo estético. Se podemos falar de arte numa acepção propriamente contemporânea, então devemos falar de arte híbrida, onde se mesclam o velho e o novo no advento do inusitado. A experiência estética agora é experimentar novas possibilidades e inaugurar novos sentidos".
Essa arte sem fronteiras e sem limite é fruto de um processo evolutivo, não num sentido de evolução qualitativa, ou seja, que a produção do início do século seja inferior a produção do meado e final do século XX, mas evolutiva no sentido de novos padrões estéticos. Acredito que não seja possível valorar, qualificar um estilo em relação ao outro. O Expressionismo tem suas características próprias assim como o Surrealismo, o Abstracionismo, o Dadaísmo, a Arte Pop, Arte Conceitual, todos com suas particularidades que lhes conferem o título de "tendências" ou "estilos" de arte.
A obra que me proponho a analisar faz parte de uma produção do início do século XX, classificada dentro do grupo das primeiras vanguardas artísticas. O Grito, de Edvard Munch (1863-1944), tem suas características atribuídas ao Expressionismo, onde predomina a deformação da realidade sob a óptica dos sentimentos. Já não se procura imitar o modelo da natureza ou o objeto real. No Expressionismo há uma realidade ainda mais importante: a da visão subjetiva do artista.
Essa característica faz das obras expressionistas como O Grito, um elo de intensa fruição entre artista e obra, pois a busca para a consumação de sua arte está dentro do seu próprio mundo do qual apenas ele tem conhecimento e determina suas próprias verdades. Em contrapartida, a arte em todas as suas distinções estéticas, permite ao artista criar sua própria realidade, ou seja, seu mundo verdadeiro. Acredito que não é somente com as palavras e os conceitos que o homem constrói para si um "mundo novo". O artista em seu momento de criação também está edificando seu mundo de verdades, bem como o receptor da obra de arte. "(...) a todo momento, qual em sonho, tudo é possível, e a natureza inteira desafia o homem como se fosse a mascarada dos deuses divertindo-se num jogo de enganar os homens sob todas as formas".
Alguns expressionistas usaram as teorias musicais para conseguir composições de colorido harmonioso e formas totalmente abstratas. Também utilizaram o resgate do feio como novo valor estético. Na obra de Munch, destaca-se a agressividade da cor e a falta de tranqüilidade das formas, além de conceder às cores um valor simbólico e subjetivo, longe das representações realistas. Isso pode ser claramente percebido quando observamos as cores utilizadas na representação do céu (tonalidades de amarelo, vermelho e laranja). Também se nota que a paisagem apresenta uma policromia exacerbada e o corpo humano é sintetizado em poucas linhas. Desta forma, Munch se vale da
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