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A Águia e a Galinha

Trabalho por Manoela Silva, estudante de Diversos @ , Em 22/04/2003

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A Águia e a Galinha


Resumo

A partir de uma história contada por um líder africano pela libertação de Gana, o autor constrói uma metáfora da condição humana.

Segundo essa história, narrada pelo autor duas vezes de formas diferentes, uma realista e outra no estilo hebraico de midraxe-hagadá, uma águia que sofre o acidente de cair de seu ninho, ficando muito machucada é ajudada por um homem que a leva para sua casa e cuida de sua recuperação. Depois de fisicamente restabelecida, a águia é colocada para viver com galinhas. Com a convivência, ela passa a se comportar como uma galinha, ciscando, dormindo no poleiro e não voando. Mesmo não mais se comportando segundo a sua natureza, ela não é capaz de esquecer sua essência águia. Quando colocada diante do seu meio natural, diante da luz do sol, a águia-galinha retorna à vida de águia, que nunca deixou de ser.

O autor vê no ser humano essa dualidade águia/galinha como a dualidade realidade/sonho, necessidade/desejo e essas duplas não são isoladas, mas complementares, co-existentes, fazem parte do homem atuando constantemente em sua vida. Mas normalmente a dimensão galinha domina a dimensão águia, nos impedindo de sonhar, de buscarmos o impossível, nos enraizando na vida concreta. É necessária a convivência equilibrada dos dois pontos, é necessário libertar a águia de dentro dos homens.

Nesse ponto, o autor descreve mais detalhadamente as semelhanças entre o homem e situações existenciais, e a história da águia-galinha. O sentimento de perda humano se equivale ao momento em que a águia cai no chão e fica desamparada, entregue à dependência de um ser que a socorra. Nós, assim como a águia, temos a opção de enfrentar o desafio do desamparo ou aguardar uma solução vinda de outros. Para sair da situação de abandono é necessária a luta, o abrir dos olhos da águia, vencer o medo e se auto-superar, o que exige doação, capacidade de renúncia e sacrifício. Todo sofrimento gera crescimento e esse crescimento tem como resultado o saber, a intuição, instrumentos necessários para próximas quedas e situações de perda.

Assim como as águias, os homens são livres. A liberdade nos dá a capacidade de moldarmos nossas vidas e modificarmos nosso destino, mas a perda nos aprisiona. Vivemos assim em "permanente anseio de resgate e de libertação".

Para que a águia, segundo a história, pudesse voltar ao seu estado original, foi necessária a ajuda de alguém (no caso um naturalista), que ao lhe mostrar a luz do sol, a fez despertar dentro de si a sua natureza. O ato da ajuda, segundo o autor, foi fundado no amor incondicional, aquele que não coloca condição alguma para ser vivido, é o amor que liberta, que regenera. Mas além de liberta-la de alguma coisa, libertou-a para alguma coisa. O naturalista foi um mestre, um exemplo, um herói que a ajudou a se identificar com sua própria natureza, não só através de palavras ou conceitos, mas "mediante sua própria vida e seu modo de agir". Daí a importância de um guia espiritual para que sejamos capazes de nos despertar, de unificar as nossas partes, já tão separadas pela cultura dominante.

Nós precisamos de cuidado para que tenhamos cuidado como "precondição essencial para a vida". É necessário que cuidemos de nosso corpo, de nossa mente e de nosso espírito.

A águia se despertou definitivamente a partir da energia que lhe foi concedida pelo Sol, "o arquétipo da síntese entre o humano e o divino". Para nós o Sol constitui a dimensão espiritual do ser humano, não há como negar sua existência, que nos aquece e ilumina. Devemos deixar essa energia nos invadir, pois ela é manifestação divina e quando entramos em