UNIVERSIDADE GAMA FILHO
Faculdade de Comunicação Social
A obra de arte na época da sua reprodutibilidade técnica
- Uma análise crítica -
UGF/Novembro de 2004
No ensaio "A obra de arte na época da sua reprodutibilidade técnica", encontramos a figura de Benjamin como filósofo marxista, que soube enxergar na iminência dos acontecimentos mais banais, uma "aura", a sua parte de transcendência. Mirando os objetos de consumo, Benjamin descobre a sua face oculta, que extrapola sua mera condição utilitária; ali o autor pode contemplar o seu lado simultaneamente mágico e memorial, que desperta reminiscências do passado.
Walter Benjamin é "catalogado" como membro da controvertida "Escola de Frankfurt", juntamente com Adorno, Horkheimer, Marcuse e Habermas, seus textos constituem uma ferramenta teórico-metodológica importante para uma "antropologia da comunicação", na perspectiva de uma Teoria Crítica. Todavia, Benjamin permanece enquanto um marco referencial porque os seus ensaios se distinguem daqueles dos seus "companheiros de escola", pelo seu potencial de atualização das formas culturais emergentes, assim como, pelo caráter de prognóstico das suas análises.
Benjamin sempre buscou transcender as limitações de um pensamento ressentido e pessimista com prejuízos para a percepção. O seu conceito de "aura" e "reprodução mecânica", as alegorias do anjo e da História, assim como as figuras do "flanador", do "colecionador" ou da "prostituta", ao seu ver, não traduzem as formas de mercantilização, são antes expressões que condensam, simultaneamente, a dinâmica da vida material e emanação do espírito coletivo, a parte obscura e brilhante da vida.
Encontramos as bases interpretativas para decifrar a realidade virtual nos livros de Walter Benjamin(1892-1940), um filósofo que pensa o século XIX com as antenas ligadas na modernidade do século XX. Sua percepção aguçada fornece elementos para uma discussão crítica e recepção das questões emergentes sobre arte, sociedade e tecnologias do século XXI.
Neste texto, Benjamin ressalta a questão das teses sobre as tendências evolutivas da arte, nas atuais condições produtivas, assumindo como reflexão a teoria crítica da sociedade, a crítica marcada por influências do marxismo, do movimento operário, arte, tecnologia, questões políticas, correntes filosóficas contemporâneas, enfim, todo um universo de acontecimentos nos mais variados âmbitos que precederam a história e também na qual W. Benjamin esteve imerso. Diz ele sobre a reprodutividade técnica: “mesmo por princípio a obra de arte foi sempre suscetível de reprodução”. (1994, p. 210).
Ele cita a xilogravura, o desenho, a imprensa, a litografia, a fotografia, como exemplos de uma fácil reprodução de uma mesma obra de arte, esta “extraída” para um número além do original criando infinitas cópias deixaria de ser uma ‘obra de arte’. Também o cinema esteve muito ligado à reprodução da obra de arte através das imagens e da reprodução técnica do som. Isso gera um problema de autenticidade quanto à obra de arte, pois, diz Benjamin: “O hit et nunc do original constitui o que se chama de sua autenticidade” (1994, p.212).O que se tem na frente dos olhos não é o original, mas uma obra existencial serial_ como ele mesmo define o objeto reproduzido_ o qual, muito embora contenha lá suas vantagens, não poderá nunca ser tomado no lugar do original. Há uma percepção de mundo que não se refere somente a uma percepção de modo de existir, mas
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