15 Anos da Queda do Muro de Berlim
Introdução
Em 9 de novembro de 1989, há 15 anos, o governo da então Alemanha Oriental, comunista, decidia abrir suas fronteiras e destruir o Muro de Berlim, precipitando o colapso dos regimes do leste europeu. Para muitos, esse fato encerrou definitivamente a 2ª Guerra Mundial, já que esse Muro era parte da herança desse conflito, e da Guerra Fria entre as superpotências militares de então: Estados Unidos e a ex-URSS. Precipitadamente, o historiador norte-americano Francis Fukoyama viu nisso o "fim da história", com o domínio absoluto do mercado e do ideário neoliberal. Já o sociólogo alemão Robert Kurz via nesse fato não esse fim, mas o início do colapso do que ele chamou "sistema mundial de mercadorias", que teria tido no Leste Europeu a sua versão estatizante, mas que seria parte integrante do sistema maior, o capitalismo. Esse começou a entrar em colapso nessa região, como também entrar em outras regiões periféricas. De um lado, portanto, esse fato foi interpretado como o "fim das ideologias", já que restava apenas uma após a queda desse Muro. De outro, a interpretação de que o que ruiu não foi apenas um muro famigerado e o sistema comunista, mas uma fração do próprio sistema mundial e que esse processo acabará arrastando no curso do tempo todo o sistema.
Nesse trabalho veremos como começou e terminou o Muro de Berlim.
O Muro de Berlim
Durante 28 anos, de 1961 a 1989, a população de Berlim, ex-capital do Reich alemão, com mais de três milhões de pessoas, padeceu uma experiência ímpar na história moderna: viu a cidade ser dividida por um imenso muro. Situação de verdadeira esquizofrenia geopolítica que a cortou em duas partes, cada uma delas governada por regimes políticos ideologicamente inimigos. Abominação provocada pela guerra fria, a grosseira parede foi durante aqueles anos todos o símbolo da rivalidade entre Leste e Oeste e, também, um atestado do fracasso do socialismo real em manter-se como um sistema atraente para a maioria da população alemã.
Na manhã bem cedo do dia 13 de agosto de 1961, a população de Berlim, próxima à linha que separava a cidade em duas partes, foi despertada por barulhos estranhos, exagerados. Ao abrirem suas janelas, depararam-se com um inusitado movimento nas ruas a sua frente. Vários Vopos, os milicianos da RDA (República Democrática da Alemanha), a Alemanha comunista, com seus uniformes verde-ruço, acompanhados por patrulhas armadas, estendiam de um poste a outro um interminável arame farpado que alongou-se, nos meses seguintes, por 37 quilômetros adentro da zona residencial da cidade. Enquanto isso, atrás deles, trabalhadores desembarcavam dos caminhões descarregando tijolos, blocos de concreto e sacos de cimento. Ao tempo em que algum deles feriam o duro solo com picaretas e britadeiras, outros começavam a preparar a argamassa. Assim, do nada, começou a brotar um muro, o pavoroso Mauer, como o chamavam os alemães.
No dia 9 de novembro de 1989, depois de terem ouvido pela rádio um confuso comunicado das autoridades comunistas sobre a possibilidade dos cidadãos da Alemanha Oriental, a RDA, terem, naquele momento mesmo, o direito de poderem viajar para o Ocidente, uma massa de gente começou a se amontoar em frente ás cancelas que davam passagem pelo muro. Assim, espontaneamente, deram os primeiros passos para pôr fim á existência daquele paredão medonho que separava os alemães em dois corpos distintos, numa hostilidade que apartava a humanidade inteira em duas facções inimigas.
Anoitecia em Berlim. A concentração humana foi se dando aos poucos. Era uma daquelas tardes-noite gélidas de novembro, mas a exaltação dos que se apinhavam nas cancelas da fronteira da cidade dividida fez com que se esquecessem de tudo, do frio e do
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