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Amar Verbo Intransitivo - Mario de Andrade

Trabalho por Carlos Vaz Dias, estudante de Colegial @ , Em 22/04/2003

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Amar, Verbo Intransitivo

Mário de Andrade


Resumo

O Livro: "Amar, Verbo Intransitivo" relata a vida cotidiana de um rapaz que teve a sua história constantemente alterada devido a preocupação do seu pai em relação as descobertas do mundo exterior, exigindo em sua própria casa uma professora que pudesse ensinar ao seu filho mais velho, Carlos, tudo o que se relaciona ao amor.

Mário de Andrade ao escrever este livro, preocupou-se com a importância que se dá à fala brasileira, onde tentou exprimir o nosso português oral, falado no Brasil e usou expressões mais controladas pela Gramática.

A ousadia de Sousa Costa é incorrigível, pois o amor não deve ser comprado e muito menos ensinado por outra pessoa, deve acontecer naturalmente sem intervenções de alguém de fora ou até mesmo da família.

Neste livro é possível analisar que Mário de Andrade não participa da história, mas faz referências a si mesmo sem intervir de maneira direta na obra, fazendo com que a história fique mais interessante.

Finalmente podemos perceber que o livro traz referências alemãs, devido aos estudos adiantados de Mário de Andrade, tendo como objetivo a atenção do leitor; e possuindo também uma rica literatura romântica e principalmente moderna.

Mário de Andrade publicou Amar, Verbo Intransitivo em 1927, um ano, portanto, antes de Mamaíma. Embora, muito distintos entre si, tais livros tem algo em comum: é a importância que se dá à fala brasileira. Amar, Verbo Intransitivo tenta exprimir o português falado no Brasil, nossa língua oral. Mas o predomínio da oralidade não é absoluto. Na verdade há uma mistura entre expressões orais e outros níveis expressivos mais controlados pela gramática. Isto já se vê na primeira página:

"Elza viu ele abrir a porta da pensão. Páam... Entrou de novo no quartinho ainda agitado pela presença do estranho. Lhe deu um olhar de confiança. Tudo foi sossegando pouco a pouco. Penca de livros sobre a escrivaninha, um piano. O retrato de Wagner. O Retrato de Bismark."

Reparemos nas expressões do cotidiano paulista: viu ele (em vez de viu-o), Páam (onomatopéia), lhe deu (começando a frase com pronome oblíquo), penca de livros. Isto sem falar nas duas últimas frases, que são curtas, "telegráficas": O retrato de Wagner. O retrato de Bismark.
Algumas dessas expressões, são erros gramaticais, cometidos intencionalmente; outras são formas não aceitas nos códigos cultos da linguagem. Todas elas, porém, procuram realizar aquele projeto do Modernismo da busca de uma frase dinâmica, às vezes primárias, e até certo ponto irreverente. No caso do romance de Mário de Andrade, o que se busca é a fala despreocupada da classe média urbana de São Paulo.

Digno de nota é o gênero que Mário escolheu. Por que o romance? A resposta mais simples é que o material que ele queria trabalhar não caberia num conto. Mário queria desenvolver o tema do amor, o da liberdade feminina, o tema da arte, e o tema da aclimatação da cultura e da imigração alemã no quadro da vida urbana brasileira. É muita coisa. Isto só caberia num romance, pequeno, sim, mas romance.

Outra questão é o foco narrativo. Por que Mário não escolheu o foco da terceira pessoa, isto é, aquele foco que o narrador chama a atenção sobre os outros e faz esquecer a si mesmo? Ora, exatamente por causa disso. Mário queria comentar ocorrências, analisá-las, mostrar que era ele quem estava dando as opiniões. Não só. Queria também exprimir a emoção que a história lhe estava dando. Então o foco da primeira pessoa era o mais indicado. Mário conta a história freqüentemente faz referência a si mesmo, porém não participa da história.

Mas por que a temática alemã? Por que não a italiana, a espanhola ou a portuguesa, que eram menos distantes? Por várias razões. A primeira seguramente a