Os primeiros e mais universais processos de comunicação são o gesto e a fala. Mas a necessidade de uma forma transportável e conservável da comunicação deu origem ao uso de objetos (pedras, cordas, etc.) ou de traços (desenhados, gravados, riscados, etc.).
O uso dos traços gráficos pode desenvolver-se em dois sentidos: a pictografia, isto é, a representação de objetos e acontecimentos, e a escrita na qual os sinais representam elementos lingüísticos.
O emprego desenvolvido da pictografia encontra-se, sobretudo, entre as populações de caçadores e de pescadores-navegadores com grupos homogêneos relativamente densos ou que praticam, em domínios bastantes largos, relações regulares de grupo para grupo. Pensa-se que esta fase existiu entre as populações que a história encontra em estágios mais avançados Classificam-se os diversos sistemas de escrita das numerosas línguas, de acordo com a natureza preponderante dos respectivos sinais gráficos, sendo a divisão mais simples entre escritas ideográficas e fonográficas.
A escrita foi inventada diversas vezes, em regiões diferentes: em toda a parte, e quando existem informações seguras sobre as suas origens, vêmo-la desenvolver-se a partir da pictografia; em parte alguma se pode seguir um desenvolvimento completo partindo da pictografia para a ideografia e desta para o sistema alfabético. Este parece ter sido criado uma única vez.
Os sistemas do Egito e da Mesopotâmia, com predominância da ideografia desapareceram, assim como o sistema Egeu, que parece Ter sido cultivado durante bastante tempo num estado silábico, modalidade de fonografismo. O sistema chinês, que é simultaneamente ideográfico e silabofonográfico, subsistiu apenas no seu domínio, enquanto o sistema fonográfico alfabético, sob as formas semíticas, indianas, e sobretudo européias, se espalhavam cada vez mais.
Será na Fenícia que surge o primeiro alfabeto. Os fenícios, navegadores e comerciantes de cidades com uma administração municipal desenvolvida, que comerciavam com todos os povos do Mediterrâneo, deviam Ter feito um uso intenso da escrita por necessidades práticas. Em Lataquié, na Síria, foram encontrados tijolos gravados contendo sinais que se repetiam em números de 22. Era o primeiro alfabeto.
Esta forma de escrita foi adotada pelos povos vizinhos, nomeadamente pelos gregos e depois pelos latinos. O estabelecimento de um alfabeto representa a última fase na organização da grafia, de acordo com a análise das palavras em entidades fônicas sucessivas, sendo estas - em qualquer língua - menos numerosas do que as combinações em sílabas de estruturas diversas.
Resta acrescentar que a maneira como cada povo codificou os sons da sua língua para os reproduzir, foi muito variado, como ainda hoje se pode constatar.
No conjunto, com bastantes acidentes, nomeadamente o desaparecimento de sistemas que não puderam aperfeiçoar-se, a escrita, que apenas apareceu em estádios relativamente avançados da civilização, seguiu os progressos das civilizações, quer no sistema, quer no emprego.
O papel social da escrita variou igualmente no decurso da evolução de uma civilização sempre mais complexa. Os primeiros empregos da escrita foram pobres, imediatos e práticos; é preciso naturalmente compreender, na prática, os empregos mágicos cuja necessidade já não sentimos. Assim, o amuleto ao lado da mensagem, as contas comerciais, o contrato, a inscrição tumular.
O emprego estava também limitado pelo fato de poucos povos terem escrita e de nesses povos poucas pessoas se servirem dela. Eram geralmente trabalhadores intelectuais ao serviço de personagens poderosas, algumas vezes essas mesmas personagens.
Com o tempo, o instrumento-escrita substituiu cada vez mais o instrumento-memória, e as genealogias, os textos religiosos foram passados a escrito. O copista, um novo artesão, foi um instrumento importante do progresso.
Então a massa dos documentos constituiu uma materialização da memória coletiva nas mãos de um maior número de pessoas que sentiam mais fortes necessidades de estudo e de instrução.
Os documentos escritos foram matéria de estudo, facilitaram e provocaram a reflexão e a instrução. Podem contar-se entre eles as
Ferramenta