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A modernização da agricultura.

Trabalho por Jakeline Andrade Senefontes, estudante de Turismo @ , Em 02/02/2009

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A modernização da agricultura

FACCREI
2009

 

 

 

A modernização que aconteceu no Brasil por volta dos anos 60, adjetivada de conservadora, trouxe consigo mudanças profundas, sobretudo no meio rural. O grande êxodo rural e as péssimas condições de trabalho em que os pequenos produtores se encontraram foram às principais. A população rural do país representava 1/3 da população e não tinha a menor perspectiva de ser absorvida nas atividades urbanas. Todo apoio governamental a agricultura nesse período favorecia aos grandes produtores. Grande número de pequenos produtores que tentaram usufruir dessa política faliram, se encontrando em condições piores que anteriormente.

Segundo Silva (1) em seu texto “A modernização conservadora dos anos 70”, a grande mudança na agricultura brasileira é a passagem do complexo rural para os complexos agroindustriais que começou nos anos 60, após o processo de industrialização urbana. Com isso, a agricultura perde a sua auto-suficiência em produzir os seus meios de produção e passa a se dedicar a uma atividade específica, produzindo mercadorias, ou seja, compra a força de trabalho e insumos e vende produtos.

Porém, a modernização conservadora teve caráter excludente uma vez que só foi beneficiado quem estava perto dos grandes centros, como São Paulo, por exemplo. Outra característica do período era que a grande propriedade é mais vantajosa ao capitalismo devido à produção em grande escala. E tudo é mais fácil aos grandes proprietários em termos de acesso a tecnologia, compra e venda, negociação, o que os torna mais eficientes que os pequenos produtores. As políticas agrícolas nos anos 70 passaram a diferenciar o tipo de produtor em pequeno, médio e grande para estabelecer taxas distintas de financiamento. Porém é necessário diferenciá-los sob outro prisma: os capitalistas, as empresas familiares e os camponeses. Assim, podemos concluir que a modernização da agricultura favoreceu a classe mais rica do país.

Como ressalta Miller (2), as transformações ocorridas devido à modernização não trouxeram uma melhor qualidade de vida para grande parte da população rural. Gerou foi uma pobreza moderna marcada pelo subdesenvolvimento social. É o caso de milhões de pequenos produtores que não conseguiram se “modernizar” e foram excluídos do processo produtivo.

A migração para as cidades em busca de uma melhor condição de vida foi absurda (entre 1960 e 1980, 28,5 milhões de pessoas deixam o campo). E o pior: as cidades também não estavam preparadas para receber o grande contingente de pessoas e os resultados são sofridos até hoje pela sociedade brasileira. Favelas, miséria, o não acesso à educação, moradia e saúde são aspectos comuns hoje no país que enfrenta um problema com uma violência crescente, chegando a ponto de visualizar um poder paralelo no mundo do crime.

A desigualdade social no Brasil é uma das maiores do mundo e a maioria da nossa população não tem oportunidade de buscar melhores condições de vida. Falta emprego, falta apoio governamental, faltam soluções de alternativas cabíveis para o desenvolvimento do país.

Para Martin (3), depois de anos de desenvolvimento, políticas e planos, o espaço rural está em crise. E pensar um novo desenvolvimento rural é o grande desafio, pois obriga a uma releitura crítica das teorias, dos modelos dos comportamentos e da gestão das políticas.

 

A agricultura familiar e o Pronaf

Como vimos acima, o pequeno produtor ficou prejudicado no processo de modernização da agricultura. A Reforma agrária que seria uma solução ao problema da acumulação de terra no Brasil, gerada de acordo com o processo de desenvolvimento capitalista, não se efetivou. Entretanto, surgiu um programa do governo voltado para o agricultor familiar.

De acordo com Marques e Hermando (4), o Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) deve ser entendido como um esforço de intervenção do governo na realidade rural brasileira, de desenvolvimento do fortalecimento da agricultura familiar. O