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A Corrosão do Caráter

Trabalho por Denise Coutinho, estudante de Turismo @ , Em 17/03/2006

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A CORROSÃO DO CARATER


Desde o capitalismo vivíamos numa sociedade onde existia uma forma rígida de burocracia e também uma rotina cega. Hoje vivemos o que o autor diz ser o "capitalismo flexível", onde nós, trabalhadores temos que ser ágeis, aceitar as mudanças em curto prazo e assumir riscos, dependendo cada vez menos de leis e formalidades.

Essa flexibilidade do capitalismo tem seu lado positivo, onde nos dá maior liberdade de moldarmos nossas vidas, mas também leva as pessoas à ansiedade e a um sentimento dúbio. O caráter é marcado em longo prazo a todos os valores que carregamos ao longo da vida, mas como aplicar isso no modelo de sociedade que vivemos, onde tudo se concentra no imediato? O autor traz questões sobre trabalho e caráter numa economia que mudou radicalmente.

Até mais ou menos a década de setenta podia observar-se que a sociedade, enquanto trabalhadores possuíam outro conceito de tempo e trabalho. No livro temos como exemplo Enrico, um trabalhador de classe baixa que exerceu sua função de faxineiro por anos e anos em empregos que pouco variavam, pode-se observar que era um tempo previsível, Enrico sabia exatamente quando ia se aposentar e quais seriam seus benefícios.

Como os problemas da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial haviam cessado, Enrico com sua disciplina aliado aos sindicatos que protegiam seus empregos conseguia um resultado super econômico. Embora fosse um homem inferior na escala social, no seu bairro era um senhor respeitado por conseguir vencer a batalha do dia a dia, o autor nos coloca como duas identidades no mesmo uso de tempo.

Rico filho de Enrico conseguiu estudar, pelo esforço do pai, mas venceu de uma maneira diferente, não acreditava nos conformistas, mas sim nas constantes mudanças e também na possibilidade de correr riscos. Rico também tinha o medo de perder o controle, era difícil viver nesse novo modelo de economia, era grande a ansiedade. O mercado tornara dinâmico demais, não se pode fazer as mesmas coisas ano após ano, os consumidores são os que motivam o mercado, e ainda existe o desejo rápido de retorno.

Esse novo modelo capitalista fazia com que Rico dedicasse tempo demais no trabalho e "deixasse de lado" sua vida pessoal, familiar e social, existem novas ferramentas de trabalho, mas também uma nova maneira de organização de tempo de trabalho. Sennett diz que a questão do curto prazo do mercado corrói o caráter do cidadão, pois como passar valores de confiança e lealdade aos nossos filhos num sistema que visa o curto prazo?

Sobre a rotina o autor expõe os dois lados da questão, um positivo, quando diz que a divisão do trabalho trazia a ordem, e outro negativo quando diz que fazendo a mesma função por repetitivas vezes, nós indivíduos nos tornamos ignorantes. A rotina aliada ao estudo do tempo e movimento de Taylor também fez perceber que os trabalhadores não possuíam uma visão mais ampla do futuro, trabalhando só com a mesma tarefa os limitavam, não tinham chance de mudar.

Sobre flexibilidade, Sennett diz que buscamos quebrar a rotina maçante sendo mais flexíveis, nos adaptando aos diversos tipos de situação, e isso no mundo globalizado que vivemos hoje é de extrema importância. A nossa sociedade é dinâmica, temos que enfrentar muitas mudanças no nosso dia a dia, por isso, sendo indivíduos flexíveis, conseguimos encarar melhor essa realidade.

A flexibilidade leva a mudanças, e na maioria dos casos empresas perdem o foco tentando acompanhar tais mudanças, fazendo a chamada reengenharia. A razão dessa medida não dar certo está ligada aos cortes que estas empresas sofrem com o processo, os funcionários que sobram ficam com o moral baixo refletindo diretamente na eficiência e eficácia de