A Cemiterada
FICHAMENTO
Reis, João José. Obra A morte é uma festa. SP (Companhia das Letras), 1999, 1997
A Cemiterada
O autor tem por objetivo discutir atitudes diante da morte na Bahia e a revolta da Cemiterada em Salvador, em 1836. Mostra os diversos aspectos que levou ao movimento da cemiterada entre eles os aspectos políticos, religiosos, científicos, econômicos e sociais.
Em diversos momentos os aspectos são citados como pontos principais da revolta que aconteceu em 25 de outubro de 1836.
Os médicos acreditavam que as pestes eram provocadas pelos gases exalados dos defuntos. Começaram assim a defender a idéia de ser criado os cemitérios, o arcebispo concordou com o fim dos sepultamentos nas igrejas, mas as irmandades e a sociedade se rebelaram.
Narra o episódio da manifestação quando a cidade acordou com o barulho dos sinos de várias igrejas, que chamavam para um protesto coletivo no Terreiro de Jesus, no adro da igreja de São Domingos. A manifestação foi convocada pelas irmandades e ordens terceiras de Salvador, organizações católicas que cuidavam dos funerais de seus membros. Foi um verdadeiro desfile pelo centro da província. Os confrades chegaram com pompa, vestindo seus hábitos e capas, carregando cruzes e bandeiras coloridas que identificavam cada irmandade. Logo apareceram outras pessoas, movidas pela curiosidade.
O protesto, que reuniu centenas de membros de irmandades e mudou a rotina de Salvador, ficou conhecido como Cemiterada. O motivo da revolta dos religiosos é que no dia seguinte entraria em vigor uma lei proibindo o tradicional costume de fazer enterros nas igrejas. Com a lei, seria concedida a uma companhia privada - hoje o cemitério Campo Santo - o direito de fazer enterros na cidade por 30 anos.
Até essa época as irmandades e ordens terceiras de Salvador realizavam, por sua conta, o enterro de seus irmãos e solenizar melhor os funerais. As mais bem-sucedidas foram as confrarias negras, que conseguiram a permissão junto ao governo de Lisboa. Entre elas, estava a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. As irmandades de pretos e pardos eram os lugares mais procurados para enterros depois das matrizes, o que era natural numa cidade de maioria negra.
O comércio funerário nos templos religiosos é uma tradição secular, que remonta ao Brasil Colônia, quando a Igreja e o Estado eram unidos na figura do rei. Naquela época, as igrejas eram mantidas pelo rei, mas nem sempre esse dinheiro chegava, então os padres arranjavam outra forma de conseguir recursos. As principais fontes de renda eram as missas fúnebres e a venda de sepulturas.
Nos dias anteriores ao manifesto, circulara de mão em mão um abaixo-assinado denunciando os cemiteristas que defendiam o Campo Santo. Do Terreiro de Jesus, a multidão seguiu para a Praça do Palácio, onde hoje é a Praça Municipal, o então centro político da cidade. Os manifestantes invadiram o palácio e conseguiram pressionar as autoridades: a proibição foi suspensa até o dia 7 de novembro do mesmo ano, quando a Assembléia Provincial decidiria sobre o assunto. Mas o tumulto só estava começando.
As negociações tentavam aplacar a exaltação do povo, porém a reação foi contrária. Os participantes tomaram a direção do alvo das críticas: o novo cemitério.
O autor refere-se aos políticos da época comprometidos em conservar o cemitério. Enviou reforço policial para o Campo Santo e deixou o exercito em alerta.
O escritório da empresa funerária foi apedrejado pela multidão raivosa, que gritava "Morras". Os manifestantes conseguiram chegar ao Campo Santo antes das tropas. Mais de três mil pessoas com machados, alavancas e outros ferros, em menos de uma hora quebraram e queimaram tudo. Destruíram o portão e
Ferramenta