A Mundialização do capital e as crises econômicas mundiais
São Paulo, Junho de 2002"Os sinais presentes sugerem que os banqueiros do mundo tem propensão ao suicídio(...)já se deixou que as coisas fossem tão longe que se tornou extraordinariamente difícil encontrar uma saída"
John Maynard KEYNES - Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro -Inflação e Deflação
Esta citação de Keynes, escrita no início do século passado, relatava o espanto de como a riqueza dos ativos reais de uma economia transmutavam-se em capital no sistema financeiro, precisamos lembrar que quando Keynes fez sua obra, ele o fez tendo a experiência da crise de 1929 viva em sua mente, e também é espantoso a atualidade deste comentário.
Dizem que a geopolítica é a incorporação geográfica da política, do poder, como tão bem nos lembrou o sueco Rudolf Kjellén, em seu artigo "As grandes potências", publicado em 1905, quando utilizou pela primeira vez o termo geopolítica, embora a compreensão política do território já fosse algo analisado desde Aristóteles, Sun Tzu, Maquiavel entre outros, sem esquecer os clássicos da geopolítica, como Ratzel, Mackinder, Mahan, Haushofer entre outros, que compreendiam a importância do território para determinar os meios de ação que os atores, no caso o Estado, possuem para que possam agir no ambiente, na verdade determinar os meios de ação que são possíveis, determinar a sua capacidade de poder.
É interessante abordar a questão da mundialização do capital e as crises econômicas mundiais fazendo um paralelo com a ótica geopolítica, pois esta representa uma percepção de ação do Poder, no caso pela via geográfica, para que os Estados possam concretizar seus projetos e sua interação externa, e mesmo o potencial de ação internacional, em suma, as ferramentas de ação que o Estado tem a sua disposição para que possa agir, o Estado possui consciência dos limitantes e vantagens do seu território, é um elemento previsível, e lógico, visível e real.
Já quando falamos de crises econômicas mundiais, entramos em um território enevoado que normalmente só torna-se claro quando a turbulência já passou, e então vemos inúmeros economistas criticando tal ou tal ação econômica de um determinado governo como culpado pela crise que foi instaurada, na verdade há um adágio que dita que os economistas são os profetas do passado...o que por si não é algo necessariamente ruim, o pior é a visão, iniciada na década de 50 e muito forte em início de 70 de tornar as ciências humanas exatas como um cálculo matemático, onde ao analisarmos dois fatores, teríamos como soma final um terceiro fator dado como certo, esta deturpação na economia também foi visto em outras ciências humanas, como a história, a geografia e
até mesmo no campo das Relações Internacionais, onde esta ação behaviorista utilizou-se em demasia gráficos, planilhas, dados estatísticos, para dar uma ar de ciência exata, calculável, a algo que em princípio é impossível de auferir previsibilidade, que é a realidade, o objeto de estudo destas ciências.
Mas retornando ao assunto, é uma situação nova aos Estados Nacionais (que também são uma invenção relativamente nova na história da humanidade ) o aparecimento da ação do capital e sua influência na economia das nações, o que levou até mesmo alguns pensadores a denunciar a perda de soberania dos referidos Estados, e outros mais radicais como o francês José Bové, denunciando as imperfeições do sistema.
Para entendermos o processo das crises econômicas mundiais precisamos entender a dinâmica do capital e sua evolução ao longo do tempo, a formação do capital financeiro através da junção do capital bancário mais o capital industrial, a
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