A Participação das Trading no Comércio Exterior Brasileiro
Rio de Janeiro
1999
Consolidando o processo de industrialização em 1972, o parque industrial já se encontrava apto para lançar seus produtos no mercado internacional. Porém, o apoio financeiro , fiscal e instrumental colocado à disposição do possível exportador, esbarrou nas dificuldades principalmente nas pequenas e médias empresas que encontravam maiores riscos diante da complexidade dc operações no comércio internacional, entre outros motivos, por não possuirem um volume de vendas que justificasse os elevados custos na implantação de atividade exportadora. Assim terminava 1972.
Entra em cena, então, a alavanca que mobiliza até hoje mais de 3000 pequenas e médias empresas, as CASAS EXPORTADORAS, chamadas na nomenclatura internacional como TRADING, criadas em novembro de 1972, no Brasil.
O modelo não era novo, poderíamos nos reportar a um passado longínquo, porém, vamos nos ater às trading japonesas que obtiveram grande êxito na mobilização das pequenas empresas após a 2º guerra mundial. Os anos de 1972 a 1975, foram de grande movimentação das trading brasileiras, identificação dos fornecedores e a descoberta dos canais internacionais de comercialização, ainda que já "fustigávamos" o mercado europeu na abordagem e criando intimidade nos setores de logística, até o sistema sindical dos portos daquele continente.
Com o aumento das operações das trading brasileiras, obrigou-as a se congregarem numa Associação reunindo forças para enfrentar nossos adversários que já tinham uma tradição de comércio no mundo e tinham urna vasta experiência quanto aos hábitos e costumes dos consumidores.
Assim, exportando US$ 685.793 em 1975 foi fundada a ABECE - Associação Brasileira das Empresas Comerciais Exportadoras, TRADING que procurou de imediato solicitar que condições idênticas às que sustentavam as exportações de nossos concorrentes passassem a vigir, também no Brasil. Fomos atendidos na ocasião com um sistema próprio de financiamento (quanto ao montante) que funcionava como um fundo, retornando ao caixa quando se completava a operação. Esta auto-alimentação era competente administrada pelo DEBAN, do Banco Central do Brasil. Há de assinalar um fator de suma importância que deve ser ressaltado, e bastante sofisticado em engenharia financeira e operacional para a época, ensejada pela entrada das trading no mercado: a reciprocidade no fechamento de grandes operações que se tornava quase impossível se realizada por um fabricante.
Vencia-se uma concorrência internacional, para fornecimento de equipamento, planta industrial, material rodante etc, porém na formalização do contrato o comprador exigia a contrapartida de exportação determinada matéria-prima, fertilizante, minérios e que fugia da esfera de conhecimento do exportador industrial.
As trading entravam então como viabilizadoras, pois seus trader internacionais, compravam o produto e forneciam a terceiros países. Foi assim que no Hemisfério Sul, o Brasil apresentou-se em 1980 como um grande operador no comércio internacional passando a exportar pelas empresas trading US$ 3.771.731, participando com 18,7% das exportações contra 6,8% em 1976.
Cabe relembrar que ao lado de grande canalizador da produção industrial e agrícola e viabilizadora das operações das PME (cerca de 3000 empresas), fomos chamados pelas autoridades a colaborar na importação de produtos principalmente no cenário do Plano Cruzado, que com o congelamento de preços, acarretou a falta de algumas mercadorias para o abastecimento do mercado interno, destacando-se os produtos alimentícios. E o mercado estava desacostumado do sistema atacadista - sistema este de intermediação tradicional e base do comércio no mundo - pois a longa "enfermidade inflacionária" tornava difícil o controle e financiamento dos estoques.
A partir de 1981 o quadro modificou-se completamente e os recursos de financiamento às exportações tornaram-se escassos e os incentivos foram praticamente extintos a começar pelo diferencial do Imposto de Renda. Isso não arrefeceu o ímpeto profissional de uma estrutura sofisticada formada a partir de
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