ÁFRICA - Colonialismo
Árabes - A história do continente africano no século XVII caracterizou-se por três grandes acontecimentos: o vigoroso desenvolvimento dos territórios setentrionais, o fechamento da Abssínia à influência européia e a expansão islâmica pela chamada África Negra. A conquista da Africa setentrional pelos árabes foi um fato de fundamental importância para a história do continente, pode ser considerada conto um grande deslocamento populacional determinado pelo superpovoamento das regiões onde se originou, separando de forma irreversível o norte da África.
A expansão islâmica em direção aos territórios e população do Sudão se deu por dois caminhos: pelo vale do NiIo e partindo do Mangreb vencendo o deserto. Ao mesmo tempo, depois de terem ultrapassado a inóspita região do Saara, os Árabes passaram a documentar em suas obras a história e o modo de vida dos povos da África negra, que tinham sido ignorados pelos fenícios, gregos e romanos.
Entre outras coisas, a cultura islâmica alterou as formas de organização política dos remos sudaneses, enfatizando a necessidade de uma administração centralizada e introduzindo um princípio de autoridade que se contrapunha aos padrões tradicionais dessas sociedades, baseados essencialmente nas relações de parentesco.
De modo geral, os povos da faixa meridional do Sudão, situada junto ao golfo da Guiné, conseguiram resistir à islamização, conservando suas crenças tradicionais. Algumas delas, como por exemplo a dos ioruba (conhecidos no Brasil como nagô), foram levados como escravos para a América, onde se constituíram posteriormente elemento de cultura de vários países.
Os interesses comerciais dos árabes, que encontraram no Sudão um de seus principais fornecedores de ouro e escravos, produtos indispensáveis para a economia dos países mediterrâneos, exerceram fortes influencias sobre a vida dos povos dessa região. Os recursos econômicos dos Estados árabes do Mangreb, conhecidos na Europa como "Estados berberes", provinham em sua maior parte dos lucros do comércio de escravos e das empresas de pirataria no Mediterrâneo, onde de pouco adiantava as expedições de policiamento realizadas pelos europeus. Eram comums os assaltos a navios cristãos para tomar suas cargas e aprisionar os passageiros, pelos quais eram exigidos altos resgates. Com a mesma constância que assaltavam navios, os argelinos saqueavam também as aldeias do interior.
Europeus - Até a chegada dos portugueses, o Saara representava o único caminho para o escoamento do ouro. As rotas comerciais, que seguiam a direção sul-norte e cruzavam os países da faixa sudanesa e saheliana, estimulavam o intercâmbio de mercadoria entre africanos e árabes. Quando chegaram ao Marrocos, no século VII, os muçulmanos tiveram conhecimento da enorme riqueza existente além do Saara. Assim, atravessaram o deserto e instalaram entrepostos comerciais na desembocadura das rotas de caravanas procedentes do norte. A partir de então, os soberanos locais passaram a assumir considerável importância como intermediários do lucrativo comércio do ouro. Após algumas décadas, as pequenas aldeias transformaram-se em verdadeiras cidades com construções e muralhas de pedra, onde se instalaram os primeiros comerciantes estrangeiros e a aristocracia dos remos locais.
Divergência cultural - Europeus x Tribos Africanas - Quando os portugueses, à procura do caminho marítimo para as Índias, desembarcaram nas costas da Africa meridional, ai encontraram populações negras que haviam desenvolvido formas originais de organização social. Essas sociedades as quais as leis, a religião e os costumes eram ditados pelos interesses do grupo e por unia questão tradicional estreitamente vinculada ao mundo dos espíritos estavam em total oposição aos conceitos europeus que pregavam a supremacia do indivíduo sobre o grupo. Do ponto de vista europeu, essas comunidades negras representavam sérios inconvenientes pois acreditavam que nelas o homem não tinha capacidade de pensamento e julgamento individual, não chegando sequer a ser uma pessoa. Dizia-se ainda que tais sociedades não permitiam a formação de elites e caracterizavam-se pela estagnação. No entanto, na região das savanas
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