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Análise do Filme: Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje

Trabalho por Louise, estudante de Produção Cultural @ , Em 26/09/2006

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Análise do Filme: Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje


Paulinho da Viola diz que se preocupa pouco com o tempo. Mas é sua relação com ele - tema tão presente em sua obra - que inspira e conduz o documentário sobre um dos maiores nomes da música popular brasileira.

A idéia central do filme Paulinho da Viola, Meu tempo é hoje surgiu de uma das várias conversas do cantor e compositor com o jornalista Zuenir Ventura - que colaborou com o roteiro - e os cineastas João Moreira Salles e Izabel Jaguaribe, fã confessa do artista e que assina a direção do documentário.

Izabel conseguiu driblar a notória timidez do artista, acompanhando o compositor muitas vezes sem câmera. "Todo o processo durou dois anos, de filmagem foi quase um ano. Fizemos as filmagens bastante espaçadas e isso foi uma das coisas boas para ganhar sua confiança", afirmou ela. "A gente percebeu que quanto mais a gente conversava, mais ele ficava à vontade." A convivência quase diária com Paulinho da Viola permitiu que a cineasta descobrisse detalhes curiosos da vida do compositor, que em novembro completa 61 anos. Um deles é uma paixão de Paulinho por restaurar carros antigos, mantidos pelo artista em um depósito na Barra da Tijuca.

Mas ele confessou que não gostou muito de ver sua mania de montar (e desmontar) carros na tela, porque ele não dedica mais seu tempo a isso.

Outro aspecto capturado pelas lentes de Izabel foi o gosto do compositor pela marcenaria. No filme, Paulinho mostra que um martelo é tão importante em sua vida como um violão ou cavaquinho. "Se não fosse músico, eu seria marceneiro", disse.

Também no documentário, a mulher de Paulinho, Lila, brinca com a aflição do artista por consertar coisas, contando que uma vez o compositor chegou a pedir um alicate num quarto de hotel.

No longa-metragem, o pai de Paulinho, o violonista César Faria, do conjunto de choro "Época de Ouro", lembra que o filho respirou música desde garoto. Um tempo em que a casa dos Faria, no bairro de Botafogo, era frequentada por Jacob do Bandolim, Altamiro Carrilho e Pixinguinha.

Paulinho achava que ia estudar contabilidade e tocar apenas por prazer. Chegou a trabalhar como auxiliar de contador, mas não demorou muito para ser sambista em tempo integral, contrariando a vontade do pai como canta nos versos de 14 Anos, presente no filme.

O documentário intercala cenas do cotidiano de Paulinho - do passeio por um sebo no centro do Rio ao jogo de sinuca com os amigos e o café da manhã em família - com encontros musicais com Marisa Monte, Marina Lima, o parceiro Elton Medeiros, a Velha Guarda da Portela, que acolheu e conquistou o coração do sambista, além de uma roda de samba no sítio de Zeca Pagodinho.

É com Marisa Monte que Paulinho vive um dos momentos mais comoventes do filme, cantando Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, escolhida por ele como a melhor canção de todos os tempos.

Paulinho da Viola recorre a versos do compositor Wilson Batista - "Meu mundo é hoje, não existe amanhã para mim" - para ilustrar como ele lida com o tempo. Mas é ele mesmo quem sintetiza seu modo de encarar a vida. "O meu tempo é hoje. Eu não vivo no passado, o passado vive em mim."