NOUVELLE VAGUE
Atirem no Pianista François Truffaut
Justificativa da Proposta
Segundo longa-metragem de François Truffaut, Atirem no Pianista, é considerado por muitos críticos um dos principais filmes desse movimento renovador caracterizado como verdadeira linha divisória na história cinematográfica, chamado Nouvelle Vague. Atirem no Pianista, (título original, Tirez sur le Pianiste), dá início ao percurso que o famoso cineasta francês de Os Incompreendidos empreenderia pela obra de escritores de novelas policiais da série negra norte-americana que ele tanto amava.
Baseado em um romance policial de David Goodis, Atirem no Pianista, tem como base um roteiro policial que faz uma espécie de homenagem aos filmes hollywoodianos do gênero e já nasce com o estigma de sucesso obrigatório. Truffat precisava de um sucesso para seu segundo longa. Na realidade ele precisava provar que sua consagração recebendo o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes em 1959 com seu primeiro longa, Os Incompreendidos, em plenos 28 anos não seria simplesmente sorte de principiante. Truffaut escolheu ousar. Ao inovar, Truffaut fundava sem saber a nouvelle vague francesa. O termo não foi criado por ele, mas sim pela imprensa francesa, como uma necessidade de categorizar indiscriminadamente todo e qualquer tipo de filme produzido pela nova geração de cineastas.
Ironicamente, este que alguns consideram um filme menor de Truffaut marcou uma série de primeiros encontros definitivos: com o diretor de fotografia, ícone da Nouvelle Vague, Raoul Coutard, o compositor Georges Delerue e a roteirista Suzanne Schiffman, todos eles membros de um time constante que faria do pequeno estúdio do diretor, Films du Carrosse, a sede de uma das mais criativas experiências cinematográficas da França entre os anos 60 e 80. Entre os cineastas da nouvelle vague francesa, François Truffaut foi o que se tornou mais conhecido do público internacional.
Dessa forma, acredito que uma analise desse filme tão plural de Truffaut , possa revelar aspectos intrínsecos desse movimento e suas reflexões posteriores em outros movimentos não somente cinematográficos, mas em praticamente todas as outras manifestações artísticas.
Desenvolvimento
Cineasta das paixões, e tido por uns como o homem que melhor filmou o amor, Truffaut foi por toda a vida um admirador fervoroso do cinema. Atirem no Pianista, seu segundo filme, não repetiu o sucesso do primeiro. Foi, aliás, um de seus mais retumbantes fracassos de bilheteria. A esse propósito, seria interessante lembrar que a carreira de Truffaut sempre alternou grandes sucessos com fracassos vexaminosos.
François Truffaut nasceu em 6 de fevereiro de 1932, em Paris. Aos 14 anos, depois de passar por um reformatório, abandonou os estudos para trabalhar numa fábrica. Seu interesse pelo cinema levou o crítico André Bazin a contratá-lo como redator da revista Cahiers du Cinéma. Por oito anos, Truffaut foi um crítico contundente do cinema francês, que ele considerava caduco e convencional. Para ele, o diretor deveria escrever os diálogos, criar histórias e produzir o filme como um todo, segundo seu próprio estilo - o chamado "cinema de autor".
Entre os cineastas da nouvelle vague francesa, foi o que se tornou mais conhecido do público internacional. O diretor participou ativamente da "nouvelle vague", movimento que reuniu jovens cineastas que faziam filmes "de autor", rompendo com o cinema comercial. Em sua concepção de cinema, o filme devia retratar a personalidade e o estilo do diretor, e oferecer, ao mesmo tempo, um belo espetáculo. Nouvell Vague foi uma etiqueta lançada em 1958, num artigo da revista L'Express, por Françoise Giroud, para qualificar um grupo de jovens cineastas franceses que começavam com brilho, à margem dos marcos tradicionais da indústria cinematográfica, sem qualificação técnica, sustentados às vezes por capitais privados e utilizando intérpretes da sua idade, nenhum dos quais
Ferramenta