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A Psicanálise do Fogo

Trabalho por Thienne Mayrink, estudante de Produção Cultural @ , Em 05/09/2004

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A Psicanálise do Fogo

Niterói, 07 de maio de 2004


RESENHA DO PREFÁCIO E DOS CAPÍTULOS I E II

Prefácio

O estudo de um objeto, em primeira análise, pode gerar uma série de erros e falsos silogismos. Isto se dá uma vez que a fonte inicial é impura, pois a primeira impressão não é a real, já que o observador pode consultar a sua subjetividade ao encarar o objeto. O estudo científico objetivo deve, antes de qualquer coisa, ser imparcial, a fim de gerar conclusões verossímeis. Para isso, é imprescindível que o observador se liberte de suas experiências anteriores, dos seus conhecimentos prévios e de suas opiniões. A influência da cosmovivência é tanta que, toda objetividade, após ser devidamente verificada, desmente a primeira impressão do objeto. Faz-se necessária a transcendência do próprio corpo.

As convicções sobre o fogo não se encaixam no estudo objetivo, pois a primeira percepção é decisiva. A problemática do fogo perseguiu, por muito tempo, a pesquisa científica e foi deixada de lado antes mesmo de ser resolvida. É tanto que pessoas intelectualizadas não conseguem explicar objetivamente o que é o fogo, pois o pessoal e as experiências científicas se tornam inseparáveis devido a uma análise objetiva impura. Além disso, a própria observação do fogo é uma observação influenciada, repleta de conceitos sociais, sendo assim um prato cheio para uma investigação psicanalítica.


Capítulo I: Fogo e respeito. O complexo de Prometeu

O fogo e o calor são instrumentos de resgate de lembranças, desta forma é um fenômeno capaz de explicar tudo que muda velozmente. Por outro lado, as mudanças dadas lentamente são explicadas pela vida. Ele é o único fenômeno associado a conceitos ambíguos: o fogo representa tanto o bem quanto o mal, por isso é um princípio de explicação universal.

Este fato é mais bem visualizado na experiência infantil. Desde a infância os pais ensinam aos filhos que o fogo brando é aconchegante, enquanto o incêndio é visto como uma catástrofe. O elemento em questão é muito mais um ser social do que natural, pois o respeito ao fogo é aprendido por intervenções sociais, e não pela constatação. Uma criança aprende que o fogo é perigoso mesmo sem se queimar, pois ele é objeto de uma interdição geral, responsável pela formação generalizada do conceito sobre o fogo: o social vence o natural. Manusear o fogo é sinal de maturidade, pois é uma ação delicada que, a falta de cuidado, pode desencadear conseqüências desastrosas. Desta forma, o conhecimento do fogo só acontece quando há desobediência infantil ou por descuido na fase adulta.

O complexo de Prometeu é responsável pelo fascínio dos homens pelo fogo. Mais do que uma vontade, é uma necessidade intelectual. Esse complexo abrange a vontade do aprendiz de saber tanto, ou até mais do que o mestre. Aprender a manipular o objeto é aproximar do que se admira no seu superior em intelecto: a criança se aproxima ao pai, o aprendiz ao mestre. Por isso, o complexo de Prometeu é visto como uma versão do complexo de Édipo, porém mais suave e sem a conotação sexual.


Capítulo II: Fogo e devaneio. O complexo de Empédocles

A psicologia do incendiário foi explicada, através da análise de uma camada psíquica mais intelectualizada, pela psiquiatria moderna. Desta forma, substituiu o estudo dos sonhos pelo estudo do devaneio, que opera como uma estrela, tornando-se imperecível e banal, pela sua definição. Os homens gostam do fogo e negar isso é negar o seu conceito primeiro. Então, citando Bachelard, "a conquista do supérfluo produz uma excitação maior que a conquista do necessário": o fogo torna-se um luxo. O cozimento já não