Alegoria
Esteticamente a alegoria é considerada como um recurso artístico e literário que, por intermédio de imagens figuradas, mostra uma realidade com significado simbólico. É um modo de expressão literária e artística que, através de um conjunto de imagens, mostra uma realidade com significado simbólico.
Na realidade, uma alegoria é aquilo que representa uma coisa para dar a idéia de outra através de uma ilação moral. Etimologicamente, o grego allegoría significa "dizer o outro", "dizer alguma coisa diferente do sentido literal", e veio substituir ao tempo de Plutarco um termo mais antigo: hypónoia, que queria dizer "significação oculta" e que era utilizado para interpretar, por exemplo, os mitos de Homero como personificações de princípios morais ou forças sobrenaturais, método que teve como foi especialista Aristarco de Samotrácia. Foi empregada principalmente do século XIII ao século XVIII, contribuindo para enriquecer o significado da literatura e das artes visuais.
A alegoria distingue-se do símbolo pelo seu caráter moral e por tomar a realidade representada elemento a elemento e não no seu conjunto. Muitas vezes definida como uma metáfora ampliada, ou como, "metáfora continuada que mostra uma coisa pelas palavras e outra pelo sentido", a alegoria é um dos recursos retóricos mais discutidos teoricamente ao longo dos tempos. A mesma correlação é estabelecida por Cícero no De Oratore, onde a alegoria é vista como um sistema de metáforas.
Uma forma de distinguir metáfora e alegoria é a proposta pelos retóricos antigos: a primeira considera apenas termos isolados; a segunda, amplia-se a expressões ou textos inteiros. A alegoria reporta-se a uma história ou a uma situação que joga com sentidos duplos e figurados, sem limites textuais podendo ocorrer num simples poema como num romance inteiro. A decifração de uma alegoria depende sempre de uma leitura intertextual, que permita identificar num sentido abstrato, um sentido mais profundo, sempre de caráter moral. Nota-se que é usual na alegoria o recurso de personificações ou prosopopéias, em especial de noções abstratas, prática muito comum sobretudo na literatura medieval.
Dizer que a alegoria é um desenvolvimento de uma fábula pode não ser suficiente. Uma alegoria necessita de um certo imobilismo do sentido, fato que será utilizado, pelo menos até ao Romantismo, para governar de alguma forma certas interpretações de textos clássicos, estando em primeiro lugar a Bíblia. A interpretação alegórica foi utilizada pelos filósofos pré-socráticos, que apontavam a "significação encoberta" dos mitos homéricos. Também os autores cristãos, de São Paulo a Santo Ambrósio, ou o próprio Santo Agostinho, valeram-se desse tipo de interpretação, mas para os textos bíblicos.A discussão sobre as diferenças entre símbolo e alegoria continua no século XX, salientando-se as reflexões de Walter Benjamin, Martin Heidegger, Hans-Georg Gadamer e Paul de Man. Todos tentam, de uma forma ou de outra, estabelecer a conciliação de ambos os conceitos, que está negada pelos românticos. Walter Benjamin traz a alegoria para o campo exclusivo da estética. Partindo do sentido etimológico do termo, Benjamin viu a alegoria como a revelação de uma verdade oculta. Uma alegoria não representa as coisas tal como elas são, mas pretende antes dar-nos uma versão de como foram ou podem ser, por isso Benjamin se distancia da retórica clássica e assegura que a alegoria se encontra "entre as idéias como as ruínas estão entre as coisas". O filósofo alemão distinguiu dois tipos de alegoria: a "cristã", que se atesta no drama barroco e que nos dá a visão da finitude do homem na absurdidade do mundo, e a "moderna", atestada na obra de Baudelaire, colocada ao serviço da representação da degenerescência e da alienação humanas. A alegoria como invenção literária expandiu-se a partir do século XIII, em torno de símbolos correntes na época, como a rosa no famoso poema narrativo Le Roman de la rose (O romance da rosa),
Ferramenta