Estética da Recepção
"Tudo o que qualquer um faz com qualquer coisa é usá-la. Interpretar algo, conhecê-lo, penetrar em sua essência e assim por diante são apenas os vários modos de descrever o processo de colocá-lo em uso." - RichardRorty
O que deve contar como um texto e uma leitura e até onde um texto deve ser explicado sob os termos das condições de sua produção, sua primeira aparição e circulação social inicial, em oposição à sua subseqüente inserção em uma rede de contextos sócio-culturais que variavam historicamente. Um marxismo revitalizado colocava em foco a noção de "reescrita e produção de consumo" ao advogar uma análise crítica da existência e atividades do texto, consideradas historicamente variáveis. Era um meio de análise que começou com a proposição de Mulhern em 1978, de que "o que toda a história do discurso mostra é quantos, sob quantas circunstâncias diferentes, significados podem ser dados a um texto. Para essa perspectiva "texto" significa não apenas as próprias palavras, mas todas as interpretações que foram ligadas à ele e que finalmente ficaram incorporadas a ele. A concepção de Bennett de "formação de leitura" queria demonstrar que significado é sempre transitivo ao invés de inerente, não é uma coisa que os textos podem ter, mas é algo que somente pode ser produzido e sempre de forma diferente, dentro das formações de leitura que regulam os encontros entre textos e leitores. Ela também planejava ajudar a repensar a questão da leitura popular, onde leitura era entendida como se referindo a "os meios e mecanismos através dos quais todos os textos...podem ser "produtivamente ativados" durante o que é tradicionalmente, e inadequadamente, pensado como o processo de seu consumo ou recepção". A concepção de formação de leitura pretendia, portanto, atender a história do funcionamento social de um texto em vez de privilegiar as condições que o originaram.
Bennet propôs uma investigação da "interação entre o texto culturalmente ativado e o leitor culturalmente ativado, uma interação que é estruturada pela relação material, social, ideológica e institucional dentro da qual tanto textos quanto leitores estão inevitavelmente inscritos". O estudo é simultaneamente dos textos sob a luz de suas leituras, e das leituras sob a luz de seus textos. A conseqüência teórica disso é que o texto que é lido "é um objeto sempre já culturalmente ativado" da mesma forma que "o leitor é sempre um já culturalmente ativado sujeito...texto e leitor são concebidos como sendo co-produzidos dentro de uma formação de leitura, conectados um ao outro em uma determinada unidade compacta."
O pesquisador Hans Robert Jauss expôs a estética da recepção pela primeira vez, definindo-a como uma pesquisa sobre a recepção da literatura e seus efeitos no leitor, além de uma superação do formalismo e do marxismo. Este movimento buscou superar o fechamento do estruturalismo que, além de não dar conta de uma dimensão histórica, tinha como base o conceito de estrutura. A estética da recepção parte do formalismo russo e da teoria e crítica literária marxistas, embora seguindo a tradição alemã da hermenêutica e da interpretação de Gadamer. Visando a ultrapassar uma teoria literária imanentista do texto e deslocar o eixo de análise deste para a sua recepção pelo leitor, introduziu uma nova estética: a relação do autor com a obra dentro de um contexto dado. Jauss, autor da teoria da Estética da Recepção na Alemanha dos anos 1960, quis seguir do ponto onde o método marxista, história e ideologia, e o formalista forma e estética, pararam. Disse que quanto a Estética, o leitor compara o que leu com leituras anteriores, e que quanto a implicação histórica, a complexão dos primeiros leitores, enriquece-se de geração a geração.
Já estamos acostumados à afirmação de que os estudos sobre a cultura e comunicação ultrapassam os limites
Ferramenta