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A Cultura Constrói Comunidade

Trabalho por Thienne Mayrink, estudante de Produção Cultural @ , Em 05/09/2004

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Cultura Constrói Comunidade


O conceito de cultura, na concepção antropológica, pode ser resumido como o conjunto complexo dos códigos e padrões que regulam a ação humana individual e coletiva. Em outras palavras, todos os indivíduos têm cultura, pois todos tiveram algum tipo de relacionamento com a sociedade na qual tiveram origem. Os códigos comportamentais de cada grupo social estão implantados, ou melhor, entranhados, na mente de seus componentes.

Nos grupos sociais ocorre algo semelhante. Se uma atitude que não se encaixa na cultura daquele grupo está muito evidente, é provável que o grupo rejeite o penetrador da atitude ou o condene a algum tipo de repreensão. Aquela cultura não tem um quadro de expectativas capaz de assimilar tal ação fora dos padrões, por isso a considera perniciosa, capaz de atentar contra a ordem que mantém o senso de realidade (cosmo - universo criado e ordenado) do grupo social.

Em um determinado período da história da cultura o elemento marcante em todas as falas, acadêmicas ou não, era o mundo da hierarquia dos valores, principalmente dos valores dos produtos: música, cinema, livros e roupas. O ambiente era contaminado pelo "espírito do tempo" da cultura de massa. A leitura que se impunha à paisagem urbana era contaminada por uma visão reducionista que não permitia o vislumbre de uma cultura que sugerisse a inércia, a lentidão ou a fixidez do homem em um determinado lugar, a rua. Era uma visão totalitária de mundo. Acreditava-se que a representação do mundo se daria apenas pela fala de alguns atores hegemônicos. Afirmava-se que as culturas populares e originais, criadas pelo povo, teriam sido apagadas pela cultura de massa. A velocidade em transmitir novos valores teria supostamente apagado, ou melhor, ultrapassado a cultura lenta ou desqualificada do povo. Apresentava-se uma corrida veloz e sem resistências. Era um tempo que se colocava como inconcebível pensar em várias culturas convivendo e compartilhando o mesmo espaço.

O estilo de vida produz sentido ao mundo da cultura. São práticas sociais que lentamente vão se elaborando e se cristalizando vagarosamente com seus segredos e vertigens de realidade. O estilo de vida é composto por segredos compartilhados entre homens. Nesse espaço criado em comunhão, por um grupo de indivíduos em processo de interação constante, mostra-se uma dinâmica permanente e própria. É nessa organização tecida pelos homens que freqüentam a rua que encontramos as construções do estilo de vida que marcam as diversas culturas. Vive-se de forma gregária, na malha das relações localizadas, em pequenos retalhos da cidade e, assim, marca-se a identidade da rua, da periferia que se torna um dos vetores de cultura.

A cultura simploriamente pode também ser definida como o conjunto de elementos que uma pessoa aprende ao longo da sua vida. Estes elementos variam desde a língua à religião, passando pela arte e pelo modo de ver o mundo - ou seja, todos os padrões de comportamentos que uma pessoa aprende. Claro que uma pessoa não partilha exatamente a mesma cultura do seu vizinho até ao mais pequeno detalhe! Por vezes estas distinções no modo de vida podem, inclusive, ser agrupadas em zonas: costumes "próprios da cidade" e outros "próprios do campo", por exemplo. Assim, fala-se muitas vezes de áreas culturais: zonas extensas que, à parte certos particularismos culturais, partilham alguns elementos culturais como a língua, sociedade, escrita, modos de produção, etc. A evolução cultural tem sofrido um crescimento ao longo dos tempos, crescimento esse que proporcionou uma evolução cada vez mais rápida. Claro que toda a rapidez é relativa! Atualmente, a evolução cultural atinge um ritmo sem precedentes, algo que seria impensável sem a proximidade das populações pela tecnologia e, por conseguinte, das suas culturas.

Uma vez que a cultura é algo que se aprende, a vida em