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A Crítica da Crítica Cinematográfica

Trabalho por Thienne Mayrink, estudante de Produção Cultural @ , Em 05/09/2004

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A Crítica da Crítica

Julho de 2003


"O papel do crítico não é trazer numa bandeja uma verdade que não existe, mas prolongar o máximo possível na inteligência e na sensibilidade dos que lêem, o impacto da obra de arte." Anbré Bazin


Para começar, a crítica cinematográfica é mais que uma indicação "veja/não veja".

Pressupõe-se que o crítico tenha uma experiência cinematográfica mais apurada do que aqueles que serão seus leitores. Ele tem que entender os anseios daqueles que vão buscar nos seus textos fonte de informação sobre determinado filme. Mesmo aquele leitor que busca algo pronto, do tipo é bom ou não é, também deve ter acesso a um texto que acrescente a sua experiência cinematográfica.

O crítico que assina sua opinião em qualquer meio de comunicação possui uma espécie de discurso autorizado. Ou seja, as pessoas procuram sua opinião sabendo que ali encontrarão base intelectual para tornar sua ida ao cinema mais proveitosa. Da mesma forma, procuramos um médico para diagnosticar sintomas, arquitetos para desenharem construções ou mecânicos para resolverem problemas automobilísticos – trata-se da busca por uma opinião creditada. Sendo assim, a crítica deve acrescentar ao leitor/espectador o maior número de dados possíveis para que possa extrair do filme o máximo que o mesmo pode lhe proporcionar. Uma opinião, sim; porém mais do que isso, um ponto de vista. Isso quer dizer que, quanto mais envolvente for o texto crítico, maior o entendimento do leitor na hora em que ele estiver de frente para a grande tela.

Para se realizar uma crítica contundente, digna de sua função informativa, é preciso ter o domínio de duas áreas de conhecimento: em primeiro lugar, deve-se entender sobre o assunto arte, ter uma ampla visão de cultura e o conhecimento profundo não só de técnicas cinematográficas, mas também de sua gênese e função social; em segundo lugar, deve-se dominar o ofício da escrita.

O problema é que muitas críticas se apóiam em apenas uma dessas áreas. De nada adianta ter um crítico que domina a experiência cinematográfica, mas não consegue exprimir em palavras o que pensa. A mesma falta de valor tem a crítica de alguém que sabe escrever talentosamente, porém não tem supedâneo para abordar o assunto em sua plenitude.

Daí surge o hábito e o vício do leitor que procura o crítico que vai lhe dizer se o filme é bom ou ruim; se vale à pena dedicar um domingo ensolarado a uma ida ao cinema; ou então se no final do filme terá valido à pena ter pago o preço do ingresso (que, convenhamos, não é nada atraente). Desta forma, fica alimentada uma crítica cinematográfica que tem como público alvo consumidores interessados na superficialidade do cinema. Não aproveitam o que de melhor fotografias em movimento,projetadas em uma tela branca podem produzir.

Até que ponto um discurso persuasivo pode se tornar instrumento de informação ou uma imposição despótica? A crítica é um exercício de impacto sobre a obra artística e sobre o público. É importante, pois, uma análise da obra que não esteja sujeita às atuais regras editoriais do mercado; sem contar a velocidade do tempo que pressiona e esmaga a capacidade de reflexão tanto do escritor quanto do leitor. Cada crítico precisa de um tempo seu para digerir a obra cinematográfica e imprimir no papel as digitais da mesma. E cada leitor merece encontrar na crítica conteúdo claro e coerente que contribua para a sua vivência individual com a obra.