INTRODUÇÃO AOS PROBLEMAS DA PINTURA MODERNA
INTRODUÇÃO AOS PROBLEMAS DA PINTURA CONTEMPORÂNEA
O Começo...
Por onde começar? Ou deveríamos perguntar: quando surgiram os problemas da dita "arte moderna"? A arte moderna já não teria nascido manca? Será que algum dia existiu problemas com a arte? A arte tornou-se um ponto de interrogação?
Em meio a teorias formuladas por artistas, críticos e estudiosos, existe um amálgama de proposições e paradigmas diversos e, muitas vezes complexo e paradoxal, sobre o olhar, ou melhor, a visão do mundo das artes, que não pode ser senão uma percepção da arte. Esta percepção vem da experiência com o artístico, que é o resultado de uma prática empírica permeada por um sistema de convenções simbólicas que nos remetem a determinados sentimentos e significações auto referentes.
Entretanto, não há como começar uma análise sobre os problemas que ainda hoje permeiam a produção artística sem refletir sobre tradições, valores os próprios sentido e significado da arte em cada período da evolução humana. E tal reflexão passa pela percepção; pela interpretação de uma arte inserida em um contexto social, político, econômico e cultural e que dele não pode escapar, mesmo pretendendo desprender-se da realidade e de todas as amarras físicas e metafísicas a que invariavelmente subordina-se.
Arte e História:
É pertinente, para um melhor entendimento dos espaços preenchidos pela arte moderna na sociedade e em seus costumes, contextualizar o cenário global em que ela se desenrola. Pode-se dizer que há um compromisso político que dominava a produção artística na primeira metade do século XX. Guerras, revoluções, manifestações sociais e avanços tecnológicos e científicos criavam ambientes no qual o modernismo achava expressões diversas. Cinema, arquitetura e música são alguns exemplos de manifestações artísticas que encontraram na História motivos para se desenvolverem e virem a se estabelecer como expressão cultural de massa.
O ambiente de guerra mundial e a Revolução de Outubro criaram na União Soviética uma arte voltada para a esquerda, como o cinema inovador de Eisenstein. Apoiado pelo governo, o cineasta possuía total apoio e suporte para experimentar e aperfeiçoar suas técnicas cinematográficas, mobilizando massas não só durante suas filmagens, mas levando as mesmas às telas de cinema. Suas inovações na arte cinematográfica influenciaram uma série de grandes cineastas ao redor do mundo. Os Nickelodeons e Vaudevilles se tornaram pequenos demais para a projeção de filmes. A partir de então, as massas queriam cinema espetáculo, e não mais ver pequenos trechos fotográficos do corpo humano em movimento. Aos poucos torou-se mais fácil produzir um filme. Mais adiante, mais fácil encher uma sala de cinema. Mais à frente ainda, tornou-se fácil encher vinte salas de projeção construídas em um mesmo lugar.
O design tomou rumos até então impensáveis. A arquitetura exuberante e imprevisível de Antoni Gaudí, a simplicidade estética e útil dos elementos industriais da Bauhaus alemã e a art déco com suas possibilidades de abstrações modernistas transformaram a paisagem urbana. Depois da Segunda Guerra Mundial, o projeto de arquitetura modernista tornou fachadas e ambientes em protagonistas, e não mais em meros coadjuvantes na composição visual de diversas cidades, tornando-as centros de acumulação, criação e difusão artística.
Na música, o jazz veio romper com a formalidade - por que não estética? da música. Talentosos negros americanos impressionavam as vanguardas com seu ritmo sincopado e combinação de instrumentos e regimentações até então impensáveis. Bossa-nova, RocknRoll e Tropicalismo experimentaram o mesmo choque estético do jazz, causando estranheza para, logo depois, influenciar uma série de infinitas vertentes musicais - que caem nas graças de um mercado fonográfico de massa que precisa rotular notas musicais para enlatá-las e colocá-las em prateleiras para uma possível comercialização.
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Ferramenta