A PROFISSIONALIZAÇÃO PARA A CONQUISTA DO SUCESSO. UM ESTUDO DE CASO SOBRE EMPRESAS FAMILIARES.
RESUMO
Este artigo pretende apresentar os aspectos críticos no crescimento de uma empresa familiar, abordando a questão da necessidade de profissionalizar a gestão para a conquista do sucesso.
Procura ainda contribuir com o entendimento do conceito de uma empresa familiar e sua cultura, dificuldades inerentes e como tratar da sucessão.
INTRODUÇÃO
Este artigo foi elaborado com o objetivo de estudar três casos de empresas que têm na sua origem a formação através da estrutura de uma família.
Inicialmente apresenta referências obtidas através de artigos, pesquisas, livros e reportagens sobre o assunto que contribuem para a conceituação e entendimento de alguns termos e motivações que levam à criação de um empreendimento envolvendo familiares.
Posteriormente aborda os exemplos práticos destas empresas familiares, demonstrando similaridades e diferenças que contribuem ou não para o sucesso.
1 – EMPRESA FAMILIAR NO BRASIL
Em termos históricos, as empresas familiares surgiram no Brasil com as companhias hereditárias, no início do século XIV, logo após ser descoberto por Portugal.
Essas companhias, por serem hereditárias, podiam ser transferidas, por herança, aos herdeiros dos capitães que administravam essas terras. A necessidade de segmentação das companhias hereditárias, para melhor administrá-las e, consequentemente, sua entrega para herdeiros, parentes ou não, incentivou o início de vários outros empreendimentos necessários, tais como construção de estradas, centros de distribuição, etc.
Anos mais tarde, houve incremento de empresas familiares, resultante de vários movimentos imigratórios, tais como o italiano, o japonês, o alemão. Não se pode esquecer, porém o surgimento de alguns empreendimentos desenvolvidos por brasileiros, os quais consolidaram várias empresas familiares de sucesso. Atualmente, as empresas familiares têm elevada representatividade no Brasil e, também, no mundo.
Um levantamento realizado pela Economática , a pedido da revista Isto É – Dinheiro mostra que as companhias familiares com ações negociadas em bolsa apresentam um nível de valorização superior àquelas só com profissionais de mercado no comando. O que explica essa vantagem é a evolução na gestão dos negócios nas grandes famílias brasileiras.
Segundo John Davis , professor de gestão para empresas familiares da Universidade de Harvard, nos EUA, as empresas familiares “performam” melhor, mas a percepção da maioria é justamente o oposto. As pessoas acham que há muitos conflitos dentro desses grupos e que a falta de harmonia interna afeta os resultados, o que não é verdade, completa. Davis tem em sua carteira de clientes grupos como Gerdau e Pão de Açúcar.
De acordo com o professor Manfred Kets de Vries , as empresas familiares, em geral, tendem a ter uma visão de longo prazo a respeito dos seus negócios. Ter o nome na fachada do prédio ou em produtos faz com que tais líderes sejam mais conscientes de seu papel na comunidade, levando-os a proteger suas reputações com mais vigor.
A empresa familiar, atualmente, representa uma parte significativa no conjunto das empresas privadas existentes no país. Essa importância é evidente nos volumes de produção, na quantidade de empregos gerados e nas marcas tradicionais de produtos comercializados no mercado.
As empresas brasileiras conseguiram juntar, num único modelo de gestão, as características positivas do comando profissionalizado e as experiências bem-sucedidas da administração familiar, segundo o especialista no assunto Renato Bernhoeft .
Em artigo, Alexandre Di Meceli , pesquisador-chefe do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, diz que 46% das empresas familiares brasileiras já estão no nível dois de governança ou no chamado Novo Mercado. Em 40% dessas empresas, a família saiu da direção executiva, permanecendo apenas como acionista. Miceli vai mais longe: numa análise de 15 companhias familiares, a margem EBITDA em 2005 supera a média de 14%, atingindo quase 20%.
De maneira geral, pode-se considerar que as empresas familiares correspondem a mais de 4/5 da quantidade das empresas privadas brasileiras e respondem por mais de 3/5 da receita e
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