CRISE ARGENTINA
Diante de um processo de recessão econômica, que já dura mais de três anos, a Argentina está colhendo os resultados de uma sucessão de erros político-econômicos e da aplicação das receitas do FMI (Fundo Monetário Internacional) durante dez anos.
A partir de uma análise compacta da década passada, podemos constatar a tentativa de sustentação da moeda nacional Argentina, visto que o país necessitava atrair dólares. Para concretizar tal atitude, houve uma liberação das importações, o pagamento de altas taxas de juros aos capitais especulativos internacionais e um selvagem processo de privatização, que atingiu todos os setores, como, por exemplo, a Previdência Social que já é 80% privada, resultando numa divertida brincadeira para os investidores. Este contexto foi iniciado em 1991, quando o então Ministro das Finanças de Carlos Menem, Domingo Cavallo, estabilizou a economia atrelando o valor do peso argentino ao dólar, por meio da chamada Lei da Conversibilidade, em vigor até meados do ano passado, na busca insaciável de conter a brutal inflação.
Ao nomear Cavallo como "superministro", o ex-presidente Fernando de la Rua foi, no mínimo, antidemocrático, pois além da semelhança com um golpe de Estado, ele recolocou no governo um político já desgastado por mobilizações populares, em gestões anteriores. Aliás, os cidadãos argentinos, diante da Crise (situação de conflito e desordem de alguma parte do nosso funcionamento normal que é determinante da sua continuidade ou da sua modificação, apontando para uma situação de incerteza e uma necessidade de escolha), têm se mostrado bastante articulados entre si, já que, recentemente, despejaram dois presidentes da Casa Rosada. Pode-se dizer que De la Rua, protagonista de um governo catastrófico, foi o precursor da atual situação do país e, conseqüentemente, virou alvo da fúria da população, foi abandonado pelos correligionários da União Cívica Radical e não consegue sequer buscar um sossego no exílio, pois está impedido de deixar o país, por determinação judicial.
Ao analisarmos esse contexto de recessão, notamos que "as Crises políticas e as Crises econômicas estão intimamente ligadas, tanto em sentido positivo, quando a solução de uma das duas leva elementos benéficos para a solução da outra, como em sentido negativo, quando a incapacidade de resolver a Crise de uma esfera se repercute sobre a outra esfera. Estas interações podem ser estudadas, quer a nível governamental, quer a nível do sistema político nacional, quer a nível do sistema internacional" (Pasquino, Gianfranco in BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO. Dicionário de Política. UnB Editora. 12ª ed., vol.1, p.303-306).
Em meio à hostilidade dos "panelaços", tentativas de acordo econômicas com o FMI e demonstrando uma notória fragilidade política, Eduardo Duhalde assume a presidência do país ainda confiante: "Vão começar a dizer que eu vou renunciar ou que meus ministros irão embora. É assim que se iniciam as tramas de desestabilização. Não vou renunciar e tenho muita coisa certeza do que faço". Ao tomar certas atitudes e medidas, tal governo se caracterizou pelo populismo, culpando as empresas privatizadas, os bancos estrangeiros e o FMI por todos os males do país, além de adotar a moratória da dívida pública e reduzir as tarifas públicas sem se preocupar com os custos de produção.
O que mais impressiona nesse caos argentino é a "metamorfose política", a qual, infelizmente, estamos sujeitos a ver. O caso MENEM X DUHALDE parece ter sido o limite. Após Menem ter Duhalde como membro de seu governo, agora fica disparando acusações e alerta a nação: "Duhalde é incompetente para governar, como todo sua equipe. Foram eles os maiores responsáveis pelos saques que antecederam a queda do presidente De la Rua".
"De entrada, la credibilidad es escasa. Duhalde pertenece a una generación de políticos que lleva décadas en cargos públicos. Tednría que hacer
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