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A Desordem do Progresso - Cristovam Buarque

Trabalho por William Edson Hasstenteufel Souza, estudante de Economia @ , Em 22/04/2003

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A DESORDEM DO PROGRESSO


O fim da era dos economistas e a construção do futuro

Editora: Paz e Terra; 4ª Edição; 1993; 186 páginas

CRISTOVAM BUARQUE

A necessidade da ética

Há motivos para acreditar na viabilidade de um rápido avanço na busca dessa ética. O mundo de hoje mostra um radical crescimento da preocupação com o equilíbrio ecológico. Mostra a busca de criação de fronteiras mais amplas do que as nacionais. Mostra a procura crescente de formas de proteção contra uma guerra nuclear. (p.17)

Lamentavelmente o processo ainda é tímido, embora pareça ter uma dinâmica crescente. E é sobretudo tímido entre os cientistas sociais. (p.17)

Enquanto, para a quase totalidade dos físicos e para o senso comum, a explosão de uma bomba atômica representa destruição, para os cientistas sociais a queima da Amazônia, o empobrecimento das massas podem representar apenas parte do desenvolvimento;. A quase totalidade dos economistas vê esse processo como alguns físicos viram a explosão da Bomba: como batalha necessária para ganhar uma guerra. Ainda mais: os cientistas sociais se vêem como elementos meramente analíticos e explicativos, sem responsabilidade para intervir e administrar o processo social. (p.17)

A abolição da ética explicativa na ciência econômica

A mais simples das observações, por pessoa não comprometida com a lógica da economia, consegue identificar os absurdos da economia moderna. A acumulação de capital, através do trabalho escravo ou de baixos salários, é uma forma real de antropofagia; os economistas, como os sacerdotes astecas, conseguem explicar e legitimar todo absurdo. (p.19)

Salvo manifestações isoladas de intelectuais e de políticos, não havia crítica da parte de economistas contra o costume da escravidão. Quando isso ocorreu, foi porque o processo econômico já tinha avançado ao nível de considerar o uso do escravo um método ineficiente. Os economistas Sá passam a criticar a escravidão quando se torna necessário formular a moral que melhor se adaptasse ao capitalismo moderno. Não era o humanismo da liberdade dos escravos que estava em jogo, era a liberdade de comércio que melhor servia para a evolução capitalista surgida do jogo. (p.21)

A ciência econômica intervencionista

Nos países desenvolvidos o crescimento levou a crises existenciais, a um elevado nível de poluição, ao consumo de drogas químicas e de drogas econômicas do consumo, a uma forma de produzir ecologicamente desequilibrante quanto à disponibilidade de recursos naturais. Nos países em desenvolvimento, o crescimento ampliou a dependência, a desigualdade, a instabilidade em todos os níveis, além de provocar os mesmos desequilíbrios ecológicos dos países ricos. (p.28-29)


A busca da essencialidade

Uma ciência entre as ciências

(...) a cooperação é uma necessidade intrínseca do processo de avanço social, necessária inclusive ao crescimento do consumo, se esta for a meta. (p.33)

O crescimento no uso da violência urbana e das drogas não é mais uma deformação individual ou um modismo de grupo, generalizou-se como uma clara patologia social. (p.34)

A nova ética: novos valores

A formulação de novos propósitos e´ticos para o processo econômico exige que se encontre uma justificativa para o avanço técnico, que passaria a ser visto como meio, e não como um fim em si. (p.37)

O cansaço existencial com o consumo, o conhecimento de seus limites físicos e a crise ética de sua má distribuição entre os indivíduos nos levam a buscar as raízes dos componentes da liberdade. (p.37)

A nova economia: a apreensão da essência

O que hoje acontece com a economia é o mesmo que ocorreu com a física nos anos 50. Ao elevar seu produto à escala do