A DESORDEM DO PROGRESSO
O fim da era dos economistas e a construção do futuro
Editora: Paz e Terra; 4ª Edição; 1993; 186 páginas
CRISTOVAM BUARQUE
A necessidade da ética
Há motivos para acreditar na viabilidade de um rápido avanço na busca dessa ética. O mundo de hoje mostra um radical crescimento da preocupação com o equilíbrio ecológico. Mostra a busca de criação de fronteiras mais amplas do que as nacionais. Mostra a procura crescente de formas de proteção contra uma guerra nuclear. (p.17)
Lamentavelmente o processo ainda é tímido, embora pareça ter uma dinâmica crescente. E é sobretudo tímido entre os cientistas sociais. (p.17)
Enquanto, para a quase totalidade dos físicos e para o senso comum, a explosão de uma bomba atômica representa destruição, para os cientistas sociais a queima da Amazônia, o empobrecimento das massas podem representar apenas parte do desenvolvimento;. A quase totalidade dos economistas vê esse processo como alguns físicos viram a explosão da Bomba: como batalha necessária para ganhar uma guerra. Ainda mais: os cientistas sociais se vêem como elementos meramente analíticos e explicativos, sem responsabilidade para intervir e administrar o processo social. (p.17)
A abolição da ética explicativa na ciência econômica
A mais simples das observações, por pessoa não comprometida com a lógica da economia, consegue identificar os absurdos da economia moderna. A acumulação de capital, através do trabalho escravo ou de baixos salários, é uma forma real de antropofagia; os economistas, como os sacerdotes astecas, conseguem explicar e legitimar todo absurdo. (p.19)
Salvo manifestações isoladas de intelectuais e de políticos, não havia crítica da parte de economistas contra o costume da escravidão. Quando isso ocorreu, foi porque o processo econômico já tinha avançado ao nível de considerar o uso do escravo um método ineficiente. Os economistas Sá passam a criticar a escravidão quando se torna necessário formular a moral que melhor se adaptasse ao capitalismo moderno. Não era o humanismo da liberdade dos escravos que estava em jogo, era a liberdade de comércio que melhor servia para a evolução capitalista surgida do jogo. (p.21)
A ciência econômica intervencionista
Nos países desenvolvidos o crescimento levou a crises existenciais, a um elevado nível de poluição, ao consumo de drogas químicas e de drogas econômicas do consumo, a uma forma de produzir ecologicamente desequilibrante quanto à disponibilidade de recursos naturais. Nos países em desenvolvimento, o crescimento ampliou a dependência, a desigualdade, a instabilidade em todos os níveis, além de provocar os mesmos desequilíbrios ecológicos dos países ricos. (p.28-29)
A busca da essencialidade
Uma ciência entre as ciências
(...) a cooperação é uma necessidade intrínseca do processo de avanço social, necessária inclusive ao crescimento do consumo, se esta for a meta. (p.33)
O crescimento no uso da violência urbana e das drogas não é mais uma deformação individual ou um modismo de grupo, generalizou-se como uma clara patologia social. (p.34)
A nova ética: novos valores
A formulação de novos propósitos e´ticos para o processo econômico exige que se encontre uma justificativa para o avanço técnico, que passaria a ser visto como meio, e não como um fim em si. (p.37)
O cansaço existencial com o consumo, o conhecimento de seus limites físicos e a crise ética de sua má distribuição entre os indivíduos nos levam a buscar as raízes dos componentes da liberdade. (p.37)
A nova economia: a apreensão da essência
O que hoje acontece com a economia é o mesmo que ocorreu com a física nos anos 50. Ao elevar seu produto à escala do
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