A ECONOMIA BRASILEIRA DÉCADA DE 90
A década de 90
No Brasil, a década de 90 foi inaugurada oficialmente no final de 1989. Este último ano da década de 80 está para os anos 90 assim como o ano de 1969 esteve para os anos 70. Com 45 anos após o acordo de Bretton-Woods (EUA), reunião que resultou no surgimento do Fundo Monetário Internacional (FMI, IMF em inglês) e do Banco Mundial (BIRD, em inglês) e que inaugurou o neoliberalismo no mundo. Neste cenário, a redemocratização brasileira, instalada em 1985, se consolidou com a volta das eleições diretas para a Presidência da República, em 1989. Na corrida eleitoral do primeiro turno, vários candidatos concorreram: Ulisses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola, o empresário Afif Domingos, hoje do SEBRAE, o polêmico Enéas Carneiro, o socialista moderado Roberto Freire, no pódio da disputa, o ex-operário e ex-líder sindicalista Luís Inácio Lula da Silva, e o empresário oligarca Fernando Collor de Mello.
Em 1988, Collor já era destaque nos noticiários nacionais como um "caçador de marajás", como um "bravo combatente" contra os abusos dos funcionários públicos, tidos como bodes expiatórios das riquezas abusivas que predominantemente favorecem os grandes empresários e os políticos mais poderosos. A crônica política quis lançar Collor como uma espécie de "Jânio Quadros" moderno. Jânio, como a história registra, tornou-se famoso por usar a vassoura como um símbolo de sua campanha moralista para "limpar" a administração pública. Collor não usava a "vassoura", mas se auto-proclamava o "caçador dos marajás".
Fernando Collor, apoiado pela Rede Globo e pela direita brasileira, estava inseguro nos debates, nervoso e arrogante. Suas idéias eram mirabolantes e seu discurso vazio de sentido. Num debate com Lula, transmitido pela Rede Globo, Collor foi incoerente na maior parte do tempo. Mas a edição do debate, transmitida no Jornal Nacional, mostrou apenas as partes verossímeis do discurso de Collor no debate, e o telejornal deu a versão de que Collor foi melhor no evento.
A "armação" fez com que os setores conservadores da sociedade brasileira convencessem a maioria dos brasileiros a votar em Collor, que saiu vitorioso no segundo turno e tomou posse em 15 de março de 1990.
O governo Fernando Collor de Mello, com o inexpressivo Itamar Franco como vice, começou com algumas medidas que causaram muita polêmica e insatisfação. Entre elas, estava o confisco dos depósitos de poupança dos trabalhadores brasileiros e o fim da Embrafilme, autarquia que promovia investimentos para o cinema brasileiro.
Collor buscou dar um caráter tecnocrático a sua equipe. Tentou colocar especialistas em seus ministérios e secretarias. Zico, artilheiro da geração anos 80 do futebol brasileiro, foi secretário dos Esportes, o sindicalista Antônio Rogério Magri, o do termo "imexível", foi ministro do Trabalho, na Economia, foi a economista Zélia Cardoso de Mello, que não tinha parentesco com Collor. Na equipe também constou um ex-ministro da ditadura, o oficial aposentado Jarbas Passarinho.
Fernando Collor, ao confiscar as poupanças do povo brasileiro, argumentou que a medida era necessária para viabilizar os futuros investimentos do país, e que dentro de um prazo o dinheiro confiscado seria devolvido aos poupadores. Descobriu-se depois que o dinheiro foi direto para o patrimônio do tesoureiro, o empresário Paulo César Farias.
O governo Collor inaugurou o neoliberalismo no Brasil. Nele várias medidas foram feitas: importações de vários produtos, de leite em pó a automóveis. Neste caso, pela primeira vez no Brasil foram lançados no mercado automóveis da Rússia, da marca Lada. Só que eram automóveis ruins, com uma concepção estética antiquada, que copiava padrões Iançados nos anos 70 pelas indústrias Ford e Fiat. Fernando Collor fez com a abertura aos importados algo semelhante ao que a família real brasileira, em 1808,
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