A Crise do Capitalismo
Lins 2006
Introdução
O capitalismo é um sistema econômico, social e político que pela sua natureza se desenvolve através de crises periódicas, tanto estruturais ou sistêmicas como cíclicas. A historia dos passados três séculos do capitalismo registra pelo menos três crises estruturais:
A que na metade do século XVIII marcou o desenvolvimento da primeira revolução industrial, e a que estiveram vinculados significativos processos sócio-politicos como a revolução da Independência dos Estados Unidos, a Revolução Francesa, o movimento ludista na Grã Bretanha e a Revoluções independentistas na América Latina e no Caribe, entre os mais relevantes.
A meados do século XIX que propiciou as revoluções de 1848-1849 em vários paises da Europa, e nas quais apareceu pela primeira vez o proletariado como classe propriamente dita, embora ainda subordinada ao programa da burguesia liberal. Esse processo desembocou na transformação do sistema capitalista e a sua entrada na fase imperialista, caracterizada pela fusão do capital industrial com o capital bancário, donde surgiu o capital financeiro .
A chamada "grande crise" de 1929 1933 em que esteve seriamente em causa a sobrevivência do próprio sistema capitalista, e a qual estiveram associadas a derrota da classe operaria européia pelos regimes fascistas da Itália, da Alemanha e da Espanha, a segunda Guerra mundial, e a subseqüente divisão do planeta em dois grandes blocos e a "guerra fria", assim como o triunfo das revoluções na China, no Vietnã e na Coréia do Norte, e os processos de Independência da Índia e dos paises africanos.
E a mais recente crise sistêmica que teve inicio em 1974 1975, que abriu caminho ao modelo neoliberal e a sua forma de globalização, como estratégias para superar esta crise, mas na qual, no entanto, nos encontramos mergulhados, dado o fracasso de tais estratégias.
As Idéias Neoliberais
Para se começar a discutir o advento das idéias neoliberais, não podemos deixar de observar a sua relação intrínseca com o capitalismo, e mais precisamente com o capitalismo atual, na sua nova fase, a partir de meados da década de 70 do século XX.
Poderíamos dizer, resumidamente, sobre a questão da relação entre capitalismo e neoliberalismo, que este surge como um ideário supostamente capaz de oxigenar as formas de acumulação daquele. É sabido que o capital precisava enveredar por outros modos de acumulação especialmente em função do esgotamento do modelo social-democrata em países da Europa. Sendo assim, o capitalismo, como sistema de acumulação de capitais, necessitava de novas formas de expansão que permitissem uma reconfiguração do imperialismo.
Essa expansão do modelo capitalista se alimentou de novas conjunturas mundiais, nos planos político, econômico e social. É possível elencar alguns desses fatores preponderantes para a sua difusão e a conseqüente instauração de seus novos moldes nos últimos anos. São eles: a queda do Muro de Berlim em 1989, o fim da Guerra Fria, a desintegração da União Soviética e o subseqüente desmantelamento do modelo de socialismo real, a formação de blocos econômicos regionais, grande desenvolvimento tecnológico e industrial, notadamente nos setores de eletrônica e comunicação, e finalmente a própria reorganização do capitalismo em sua nova forma atual, o neoliberalismo.
Já que o capitalismo encontra na ideologia neoliberal a sua nova ofensiva e a sua nova justificação de metas e de "receituários", faz-se necessário o entendimento de alguns aspectos que contribuíram para esse empreendimento. Um dos fatores mais importantes foi o advento do que se costuma chamar globalização, que nos traz vários elementos para compreendermos a difusão dessa ideologia. Passamos, então, a fazer algumas considerações sobre a globalização.
As idéias neoliberais encontram no processo denominado de globalização terreno fértil
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