Síntese da Obra de Paul Singer "Teorias do Valor"
A Economia é dividida em duas escolas opostas: Economia Marginalista e Economia Marxista.
Segundo o autor, esta divisão é muitas vezes escamoteada pelos representantes de tais grupos. Cada grupo apresenta apenas seu ponto de vista sem nenhuma referência à idéia oposta.
Singer segue sua obra fazendo uma análise das diferenças entre estas duas Escolas partindo do principio básico da Economia: o valor.
A Economia se difere das outras ciências pois é a única que tem a possibilidade de quantificação do produto social. E essa possibilidade decorre da teoria do valor. Essa teoria permite "a utilização de uma unidade de mediação essencial para quase todos os fenômenos do mundo econômico". (Singer, pg.12)
Existem duas maneiras de se definir valor: A teoria do valor-utilidade, retira o valor de uma relação do homem com a natureza, ou da relação dos homens com as coisas. Segundo esse ponto de vista, o homem tem várias necessidades e na busca da satisfação dessas necessidades ele se engaja na atividade econômica. Nesse caso, o valor é o grau de satisfação provida de tal atividade. O valor atribuído aos objetos decorre do grau de satisfação de suas necessidades.
A teoria do valor-trabalho, diz que o valor não provém da relação entre homens e coisas, mas sim da relação dos homens com outros homens, ou seja das relações sociais. Nesse caso o valor "é o fruto das relações que se criam entre os homens na atividade econômica.
Segundo o autor a teoria do valor-utilidade parte de um comportamento subjetivo, pois a intensidade das necessidades varia de indivíduo para indivíduo. Assim, o valor passa a ser uma manifestação de comportamento essencialmente subjetivo. Esse comportamento pode ser estudado através da análise de condicionamentos de vários fatores por sua vez não subjetivos. Ou seja o quanto a intensidade dessas necessidades pode ser induzidas por fatores externos, como por exemplo, a mídia. Para os marginalistas "há bastante variedade nas preferências dos indivíduos na escolha entre diferentes formas de satisfazer essas necessidades".(Singer, pg.13). Porém, segundo autor, o marginalismo não foi capaz de desvendar as leis que regem esta subjetividade.
A teoria do valor-trabalho parte do princípio que a atividade econômica é essencialmente coletiva, que decorre da divisão do trabalho. Portanto o valor, segundo a teoria do valor-trabalho, decorre da divisão social do trabalho. "O valor é o valor do produto social, da atividade coletiva conjunta de todos os membros Ativos da sociedade". (Singer, pg.15).
Esse valor pode ser medido pelo tempo de trabalho social investido no produto. Segundo Singer a teoria do valor-trabalho parte do princípio que o valor é algo social e objetivo.
Essa teorias (valor-utilidade e valor-trabalho) se diferem também no que diz respeito ao produto social. Segundo a teoria do valor-utilidade, o produto social é concebido como um "somatório de todos os objetos e serviços produzidos pela sociedade em determinado período e cujo valor é o somatório dos valores de cada um desses bens".(Singer,pg15). Para a teoria do valor-trabalho, o valor do produto social é resultado de um determinado tempo de trabalho gasto na produção de determinadas mercadorias.
Para os marginalistas, a quantidade demandada de determinada mercadoria depende de seu preço. Em contraposição os defensores da teoria valor-trabalho afirmam que as mercadorias não chegam ao mercado sem preço. As mercadorias devem cobrir os custos das empresas e proporcionar uma determinada margem de lucro. "O preço da mercadoria é determinado pela competição entre as empresas capitalistas, corresponde ao tempo de trabalho gasto na produção, a soma dos preços vezes a quantidade de cada mercadoria produzida correspondente ao tempo de trabalho necessário despendido no produto social como um todo".
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