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Emile Durkheim - Vida, Obra e Trajetória

Trabalho por Vladimir de Souza, estudante de Direito @ , Em 23/03/2006

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EMILE DURKHEIM: VIDA, OBRA E TRAJETÓRIA


Emile Durkheim nasceu em Épinal, que fica exatamente entre a Alsácia e a Lorena, a 15 de abril de 1858, vindo a falecer em 1917. De família judia, seu pai era rabino e ele próprio teve seu período de misticismo, tornando-se agnóstico após sua ida para Paris. No Lycée Louis-le-Grand, preparou-se para o Baccalauréat, que lhe permitiu entrar para a École Normale Supérieure.

Na Normale vai se encontrar com alguns homens que marcaram sua época. Ali se tornara amigo íntimo de Jaurès e foi colega de Bergson. Dois colegas que se notabilizaram: o primeiro como filósofo, mas sobretudo como tribuno, líder socialista, que se popularizou como defensor de Dreyfus; o segundo, filósofo de maior expressão, adotou uma linha menos participante e muito mística, apesar de permanecer no index do Vaticano, e alcançou os píncaros da glória, nas Academias, no Collège de France, na Sociedade das Nações e como Prêmio Nobel de Literatura em 1928.

Durante os anos em que ensinou Filosofia em vários liceus da província, volta seu interesse para a Sociologia. A França, apesar de ser, num certo sentido, a pátria da Sociologia, não oferecia ainda um ensino regular dessa disciplina, que sofreu tanto a reação antipositivista do fim do século como uma certa confusão com socialismo – havia uma certa concepção de que a Sociologia constituía uma forma científica de socialismo.

Para compensar essa deficiência específica de formação, Durkheim tirou um ano de licença (1885-86) e se dirigiu à Alemanha, onde assistiu aulas de Wundt e teve sua atenção despertada para as "ciências do espírito" de Dilthey, para o formalismo de Simmel, além de tomar conhecimento direto da obra de Tönnies. Mas é surpreendente verificar-se que, apesar de certa familiaridade com a literatura filosófica e sociológica alemã, Durkheim não chegou a tomar conhecimento da obra de Weber – e foi por este desconhecido também.

Achava-se, portanto, plenamente habilitado para iniciar sua carreira brilhante de professor universitário, ao ser indicado por Liard e Espinas para ministrar as aulas de Pedagogia e Ciência Social na Faculté de Lettres de Bordeaux, de 1887 a 1902. Foi este o primeiro curso de Sociologia que se ofereceu numa universidade francesa, tendo sido, pelo prestígio que lhe emprestou Durkheim, transformado em Chaire Magistrale em 1896. Nessa cidade, tão voltada para o comércio do Novo Mundo, florescera um espírito burguês e republicano, simultâneo com a manutenção do racionalismo cartesiano.

O jovem mestre encontrou condições adequadas para produzir o grosso de sua obra, a começar por suas teses de doutorado. A tese principal foi De la Division du Travail Social, que alcançou grande repercussão: publicada em 1893, foi reeditada no ano em que deixou Bordeaux (1902) . A tese complementar, escrita em latim, foi publicada em 1892 mas editada em francês só em 1953, sob o título de: Montesquieu et Rousseau, précurseurs de la Sociologie. Logo após, em 1895, publicou Les Régles de la Méthode Sociologique e, apenas dois anos depois, Le Suicide. Assim, num período de somente seis anos, foram editados praticamente três quartos da obra sociológica de Durkheim, que demonstra uma extraordinária fecundidade teórica.

Talvez o curto lapso de tempo entre suas principais obras tenha propiciado uma notável coerência na elaboração e na aplicação de uma metodologia com sólidos fundamentos teóricos. Além disso, escreveu uma série de importantes artigos para publicação imediata e outros editados mais tarde, sobretudo seus cursos, que eram sempre escritos previamente.

O que surpreende ainda em sua trajetória intelectual não é só a referida fecundidade, mas sobretudo a relativa mocidade com que produziu a maior parte de sua obra. Fora para Bordeaux aos 30 anos incompletos e, no decorrer de uma década,